Novos rumos para o samba – Parte 1

Após o segundo ano consecutivo de virada de mesa e desrespeito ao regulamento dos desfiles das escolas de samba do grupo especial do Rio de Janeiro, cresce entre os sambistas a idéia de que a Liesa, organizadora do evento, precisa mudar seus métodos de atuação. A anulação da queda das duas últimas colocadas, Grande Rio e Império Serrano, e a consequente decisão de mante-las no grupo, gerou grande insatisfação e abalou ainda mais o prestígio da entidade, que já vinha de um confuso carnaval em 2017.

Virada de mesa em desfiles de escolas de samba não é novidade e historicamente aconteceu com muita frequência. Em 1960, por exemplo, quando as escolas de samba ja se impunham como grande atração do Carnaval e atraíam uma grande mídia, o júri desconsiderou um item do regulamento que decretava a perda de pontos por atraso no desfile, o que acontecera com Portela (campeã) e Mangueira (vice).

As escolas prejudicadas recorreram e após intensas discussões, a Prefeitura anulou o resultado  e decidiu que seriam campeãs Portela, Mangueira, Salgueiro, Império Serrano e Unidos da Capela.

Anteriormente, há diversos relatos de fatos ocorridos desde o primeiro desfile, realizado em 1932 e vencido pela Mangueira. São apresentações interrompidas por chuvas, jurados ausentes, que dormiram ou se retiraram pelo cansaço, desfiles em locais diferentes num mesmo ano, por dissidências entre as agremiações.

Durante a década de 1970 também várias viradas de mesa provocaram um inchaço que levou o desfile a ter 14 agremiações em 1976.  Nessa época o desfile era realizado em único dia, o que levava as últimas escolas a se apresentarem sob sol de meio dia. Também ficou célebre, nessa década, as apurações confusas, com dirigentes trocando insultos e até empurrões. Houve anos em que a leitura das notas precisou ser feita dentro de um Batalhão da Polícia Militar.

Em 1981, o Império Serrano foi o ultimo colocado, mas foi salvo do rebaixamento porque ainda tinha força política na antiga Associação das Escolas de Samba. No ano seguinte, foi campeão com o histórico Bum Bum Paticumbum Prugurundum. A Imperatriz Leopoldinense, em 1988, também cairia para a segunda divisão, mas permaneceu por força de seu patrono, já sob gestão da Liesa, da qual é um dos fundadores.

Na próxima semana continuaremos abordando esta questão do surgimento da Liesa na organização dos desfiles.

Por

Jornalista, pesquisador de samba e compositor.

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