Nova virada de mesa indigna sambistas

O que todo o mundo do samba temia, aconteceu na última segunda-feira. Reunião realizada na Liesa – Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro deliberou uma virada de mesa pelo terceiro ano consecutivo, que rasgou o regulamento do desfile e anulou o descenso da Imperatriz Leopoldinense.

Indignação geral entre os sambistas e mais um ingrediente na crise do carnaval carioca que se arrasta e só se agrava há três anos. Mas há muito mais coisas nessa virada de mesa.

Instalou-se uma crise com feridas abertas na entidade. As cinco escolas que votaram contra a medida – Beija Flor, Mangueira, Portela, Vila Isabel e Viradouro ameaçam um racha que pode desembocar na criação de uma nova entidade representativa das agremiações. Esta é, sem dúvida, a maior crise da Liesa, desde a sua criação em 1984. Uma crise que pode ser terminal.

O Carnaval e as escolas de samba são culturalmente importantes para o Rio, vitrine do turismo, um dos setores que mais alavancam a economia da cidade. Entretanto, a atual administração pública se omite diante de um fato que afeta profundamente o setor.

Tivesse o Rio um prefeito realmente preocupado com as questões relevantes, faria uma intervenção no Carnaval da cidade. E isto não se restringiria somente à Liesa. Todas as entidades e desfiles deveriam passar por uma rediscussão junto ao poder público.

Um dos argumentos para que a Imperatriz Leopoldinense não aceite desfilar no grupo de acesso são as recentes disputas na Lierj, que administra este desfile e passou por mudanças na sua diretoria. A escola alega que o grupo que assumiu a entidade não age com transparência.

Este grupo tem estreitas relações com outra entidade, a Liesb, a liga que administra o desfile das pequenas escolas na Intendente Magalhães. Nos bastidores, os comentários são de que eles têm interesses também na Liesa e que por trás de todo este imbróglio está a disputa de poder pela hegemonia no comando do Carnaval carioca.

A Liesa foi uma construção dos contraventores do jogo do bicho no Rio de Janeiro, que passaram a comandar as escolas de samba do Rio desde a década de 60.

A pergunta que se coloca agora é se essa disputa de poder não apontará para um novo grupo emergente para tomar conta dessas agremiações. Vamos aguardar os novos capítulos.

Por

amilton.cordeiro@oestadorj.com.br

Jornalista, pesquisador de samba e compositor.

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