Nessas horas o melhor é curtir sua música preferida

Acordo e vejo que o dia será lindo, sem chuva e com uma brisa de outono, mas que as coisas lá fora não vão mudar por um "long time"

 Me arrumo e desço para pegar um sol e só rostos escondidos temendo o pior. Como diz um amigo, “que fase”. Abril chegou e a vontade de que as coisas mudem é muito intensa. Mas o que fazer? São tantas as possibilidades, mas que acabam bloqueadas por medidas nem sempre inteligentes ou mesmo que façam sentido. Ainda aguardo pela vacina que espero que encontre meu braço e não qualquer outro lugar. Enquanto a hora não chega que tal a distração? Ou mesmo o entretenimento? Eis que a dúvida paira no ar.

Bem, agora eu fiquei confuso. Quero uma distração ou entretenimento. As palavras aparecem como sinônimas em muitas coisas, mas será que distrair com o intuito de desviar a atenção é a mesma coisa que entreter se divertindo com algo? Está aí uma boa oportunidade para conversarmos sobre o tema. A verdade é que distração é sinônimo de entretenimento, mas o mesmo não é sinônimo de distração. Essa diferença faz uma bagunça na nossa cabeça nesse período de pandemia.

Desconecte-se. Vá passear. Vá jogar ideias fora. Vá ver o sol de outono

Hoje acordei com uma vontade de me distrair e o que eu faço? Fico desatento ao horário que a minha série favorita vai começar na TV? Bem, se eu fizer isso, posso esquecer a ideia inicial que eu mencionei no início do texto de que eu disse que estava procurando por distração enquanto a vacina não chega pra mim. Ufa! Que doideira. Mas é isso mesmo. Estou a cada dia mais confuso que jacaré no seco. Não sei o que é certo e errado. As vezes me pego organizando a gaveta de meias duas vezes na semana.

Minha mulher hoje me disse que eu estou distraído e eu fiquei pensando: Como assim? É justamente o que estou tentando encontrar para não pensar no tumulto que o mundo está. E isso não é porque eu sou um “alienado”, não, longe disso, mas é que as coisas andam tão confusas que eu não sei mais o que pensar. Deixei a vida me levar como o Zeca falou. Ora bolas, se eu estou distraído, pra que buscar mais distração? Foi quando decidi ouvir uma música e lá fui todo animado. passei algumas horas no meu estúdio ouvindo sucessos que eu curto. Viajei nas melhores canções e quando vi já passavam das 20h.

Viajar na sua playlist preferida: a melhor terapia nesses tempos sombrios

Foi a tarde mais gostosa das últimas semanas. Quando ela me viu, olhou pra mim e falou: Passou um tempão lá no seu cantinho né. Ficou tão entretido por lá que nem ouviu eu te chamar para atender o telefonema do Juarez. Pra quem não conhece, Juarez Botelho é um grande amigo que tenho de longa data e que agora resolveu ficar de vez no Brasil. É o mesmo que eu já contei aqui sobre o “Homem da capa”, um vizinho de sua mãe que durante toda a pandemia, ele sai para buscar as suas compras na portaria de capa de chuva e máscara.

E agora? Eu na verdade tive uma distração ou um entretenimento essa tarde? Passei a noite tentando entender. Pesquisei e não cheguei a uma conclusão. No final acabei concordando que essa pandemia está me deixando louco. Eu nunca imaginaria que um dia perderia tanto tempo tentando entender a diferença entre distração e entretenimento ou a similaridade entre ambas. Que tem tem, mas que pouco importa, isso também. A verdade é que eu acordei e acabei me distraindo com a hora e quando fui ver já era tarde e eu percebi que não havia feito nada que me deixasse mais esperançoso e daí resolvi me entreter com o que eu mais gosto depois de escrever, a música.

Foram tantas músicas lindas que eu resolvi repetir a dose mais vezes. Acho que acabei encontrando uma maneira de burlar todo esse desperdício de energia absorvendo pensamento que não nos ajudaram em nada. A música me ajuda a levantar o astral e a vontade de crer no amanhã. E olha que não é programa de TV. E você, o que tem feito para sair do pensamento negativo que está saindo pelas telas diariamente em doses homeopáticas capaz de derrubar um elefante?

Por

alexandre.mauro@oestadorj.com.br

Jornalista e comentarista esportivo. Moro em Niterói há 22 anos. Fã de cultura e esportes. Ex-editor em jornais na cidade do Rio de Janeiro. Atualmente me dedico à interatividade cultural. Acredito na importância da divulgação por todos os meios da cultura nesse país.

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