Não se fazem mais bruxas como antigamente, nem bruxos

No início do cinema, seguindo a linha da literatura mundial, de autores como os Irmãos Grimm, as histórias que envolviam bruxas geralmente retratavam mulheres horrendas ou que usavam a magia para esconder sua face maligna.

Foi com o autor L. Frank Baum, escritor, editor, ator, roteirista e produtor de cinema que as bruxas começaram a ser retratadas de uma forma um pouco diferente, graças ao sucesso do livro ‘O Maravilhoso Mágico de Oz’, publicado em 1901, e adaptado para o cinema em 1939. Valendo destacar o fato de que antes do filme ser produzido, o livro já tinha um versão musical para o teatro que ficou na Broadway, em New York, de 1902 até 1911.

‘O Mágico de Oz’, filme dirigido por Victor Fleming e com roteiro escrito pelos roteiristas Noel Langley, Florence Ryerson e Edgar Allan Woolf, é um filme musical que, além de um dos primeiros filmes em Technicolor, não só soube usar brilhantemente a nova tecnologia cinematográfica, como se destacou por retratar um tipo de bruxa totalmente diferente das vistas até então. Boa e, por isso, bela. Um tipo de bruxa que só ganhou um espaço significativo na década de 1990.

Mesmo que a década tenha iniciado com filmes como ‘Convenção das Bruxas’ (1990), estrelado por Anjelica Huston, com direção de Nicolas Roeg e roteiro de Allan Scott. Filme que também é uma adaptação de livro, ‘As Bruxas’ do autor Roald Dahl, publicação de 1983. Os anos 90 se destacou com filmes como ‘Jovens Bruxas’ (1996), dirigido por Andrew Fleming, que assina o roteiro junto com o roteirista Peter Filardi.

Estrelado pelas belas e jovens atrizes Robin Tunney, Fairuza Balk e Neve Campbell, ‘Jovens Bruxas’ trouxe uma visão além da bela bruxinha com ares de fada do universo de Oz. O filme mostra que as praticantes de magia não são pessoas do mal, mas que lidam com as consequências de suas escolhas, boas e ruins.

Foto: Divulgação

Mesmo tipo de visão abordada no filme ‘Da Magia à Sedução’ (1998), dirigido por Griffin Dunne, que tem as atrizes consagradas Sandra Bullock, Nicole Kidman, Stockard Channing e Dianne Wiest como encantadoras bruxas de um família que luta contra o preconceito da sociedade que teme o que não entende. Outro filme baseado em livro. Um livo de mesmo nome, da autora Alice Hoffman, publicação de 1995.

No entanto, é quando J.K. Rowling surge com sua inovadora visão, não só sobre bruxas, mas também sobre bruxos, já que até então o foco das histórias envolvendo bruxaria sempre era a “bruxa malvada” e raramente se via um personagem masculino do tipo. Que a força das bruxas boas conquistam o mundo.

A autora trouxe essa nova visão não só para a literatura, ao publicar seu primeiro livro da série literária Harry Potter, ‘Harry Potter e a Pedra Filosofal’ publicação de 1997, como para o cinema, já que em 2001 a adaptação chegou às telonas do mundo e enfeitiçou a todos.

Mesmo com poucas produções cinematográficas com bruxas fora dos padrões visto desde a época dos contos dos Irmãos Grimmm, as poucas produzida foram, sem dúvida, inspirações para muitos, dando origem a séries de TV como ‘A Feiticeira, ‘Sabrina – Aprendiz de Feiticeira’ e ‘Charmed’, além de outras que mesclavam vários ícones sobrenaturais como ‘Legacies’ e ‘The Originals’, spin-offs de ‘The Vampire Diaries’.

Filmes que também ajudam a acabar com preconceitos relacionados aos ditos bruxos da vida real, como os estudantes de Wicca. Pessoas com uma filosofia de vida que só prega o amor ao próximo, assim como a união e a paz entre crenças religiosas. Que incentiva a busca do conhecimento e que, no Brasil, tem a autora de livros de fantasia Eddie Van Feu, como não só uma estudiosa no assunto, mas principal autora de livros de Wicca. A autora inclusive já declarou ser “escritora de nascença e bruxa por opção”.

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Ex-repórter redatora da editoria de Cultura do webjornal O Estado RJ, atualmente colunista (Curtindo Adoidado).

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