Músico e cineasta Sérgio Ricardo morre aos 88 anos

Em colaboração com Glauber Rocha, Sérgio compôs as trilhas dos legendários "Deus e o Diabo na Terra do Sol" e "Terra em Transe"

O músico e cineasta Sérgio Ricardo, um dos grandes personagens dos movimentos da Bossa Nova e Cinema Novo, morreu nesta quinta-feira (23) aos 88 anos. Ele estava internado há quatro meses no Hospital Samaritano, na zona sul do Rio de Janeiro, e, segundo a família, a causa da morte foi insuficiência cardíaca.

“Sérgio parte no momento em que seus amigos e parceiros de vida fazem diversas homenagens a ele em sua página do Instagram e do Facebook por conta de seu recente aniversário,  comemorado no último dia 18 de junho. Que siga em paz, grande guerreiro!”, escreveram em nota seus filhos Adriana Lutfi, Marina Lutfi e João Gurgel.

O velório será nesta sexta (24), a partir das 14h, no cemitério da Cacuia, na Ilha do Governador, zona norte do Rio. O enterro, que acontecerá a partir das 16h30, será aberto ao público. 

Filho de imigrantes sírios e nascido em Marília, interior de São Paulo, João Lutfi – nome verdadeiro de Sérgio Ricardo – estudou piano desde criança. Na década de 50, assumiu o posto de pianista da boate Posto Cinco, em Copacabana, ocupando o lugar que até então era de Tom Jobim.

Trabalhou por muitos anos noite carioca, onde estabeleceu contatos com João Gilberto, João Donato, Moacir Peixoto, entre outros. Já na década de 60, a convite da TV Tupi, passou a dirigir um programa sobre Bossa Nova – o primeiro do tipo na televisão brasileira.

Como diretor, foi um personagem importante do movimento Cinema Novo. Dirigiu os filmes “Esse Mundo é Meu” (1964) e “A Noite do Espantalho” (1974), e também trabalhou na produção de trilhas sonoras. Em colaboração com Glauber Rocha, Sérgio compôs as trilhas dos legendários “Deus e o Diabo na Terra do Sol” e “Terra em Transe”.

Para além de sua obra, Sérgio Ricardo ficou famoso ao protagonizar um momento de ira no III Festival da Música Brasileira, na TV Record em 1967. Ele chegou à final do festival, mas foi impedido de cantar a música “Beto Bom de Bola” devido às vaias do público. 

Reagiu quebrando seu violão no palco e atirando o instrumento na plateia. De desagravo, ganhou alguns violões de presente e, por solidariedade, foi convidado para shows no Rio e São Paulo junto aos principais artistas da MPB.

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