Mudanças climáticas estão afetando o formato dos corpos de pássaros

“Isso sem dúvida está acontecendo em todo lugar e provavelmente não apenas com os pássaros”, afirma Stouffer, professor na Escola de Recursos Naturais Renováveis ​​da Louisiana State University

Os corpos das aves estão encolhendo em resposta às mudanças climáticas, mesmo em lugares como a floresta amazônica, que são relativamente intocados por mãos humanas.

Os pesquisadores estudaram informações sobre mais de 15.000 aves não migratórias, abrangendo 77 espécies ao longo de um período de 40 anos, que foram capturadas na floresta amazônica, marcadas e depois liberadas.

Os cientistas descobriram que quase todos os corpos das aves ficaram mais leves desde a década de 1980, perdendo em média cerca de 2% do peso corporal a cada década, de acordo com um novo estudo publicado na sexta-feira (12) na revista Science Advances.

Em uma espécie de ave que pesava cerca de 30 gramas na década de 1980, a população agora tem uma média de 27,6 gramas. O estudo também revelou que a envergadura estava ficando maior em um terço das espécies de aves da Amazônia que foram estudadas.

É um padrão também observado em aves migratórias norte-americanas.

“Esses pássaros não variam muito em tamanho. Eles são bastante ajustados, então quando todos na população são alguns gramas menores, isso é significativo”, diz o coautor Philip Stouffer, que é o professor na Escola de Recursos Naturais Renováveis ​​da Louisiana State University.

“Isso sem dúvida está acontecendo em todo lugar e provavelmente não apenas com os pássaros”, afirma Stouffer em um comunicado à imprensa.

“Se você olhar pela janela e considerar o que está vendo lá fora, as condições não são as mesmas de 40 anos atrás, e é muito provável que as plantas e os animais também estejam respondendo a essas mudanças. Temos essa ideia de que o as coisas que vemos são fixas no tempo, mas se esses pássaros não são fixos no tempo, isso pode não ser verdade.”

Asas com eficiência energética

Os pássaros que viviam no alto da copa da floresta, que estavam mais expostos ao calor e a condições mais secas, tiveram as mudanças mais dramáticas no peso corporal e no tamanho das asas, descobriram os pesquisadores.

Um peso corporal menor e o aumento do comprimento das asas significam que os pássaros usam a energia de forma mais eficiente, observaram os pesquisadores. Por exemplo, em comparação com um caça a jato com asas curtas que precisa de muito combustível para voar, um avião planador com corpo delgado e asas longas voa com muito menos energia.

O estudo concluiu que um clima mais quente foi a força motriz dessas mudanças, mas o mecanismo em jogo não estava totalmente claro. O clima da Amazônia brasileira, onde viviam as aves, havia ficado mais quente e úmido, pelo menos na estação das chuvas, ao longo do período de estudo.

Desde 1966, as chuvas aumentaram 13% na estação chuvosa e caíram 15% na seca, com as temperaturas aumentando 1ºC na estação chuvosa e 1,6ºC na estação seca.

A mudança no clima pode ter tornado os alimentos ou outros recursos mais escassos, aponta a pesquisa.

“Juntas, as proporções do corpo se moveram na direção de um voo mais eficiente e menor produção metabólica de calor e são consistentes com uma adaptação plástica ou genética aos recursos ou estresse térmico sob as mudanças climáticas”, diz o estudo.

Os animais estão lidando com as mudanças climáticas de maneiras diferentes.

No Mar Mediterrâneo, peixes, crustáceos e moluscos são encontrados em habitats mais profundos à medida que a água esquenta.

Os animais estão desenvolvendo bicos, pernas e orelhas maiores que lhes permitem regular melhor a temperatura corporal à medida que o planeta fica mais quente, descobriram outra pesquisa. CNN

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