Mudanças climáticas afetam a saúde das pessoas

Comissão do jornal médico Lancet  sobre a saúde e as mudanças climáticas mostra respostas políticas para proteger a saúde pública

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Um estudo lançado pela The Lancet mostrou  que a mudança climática do planeta já afeta cerca de milhões de pessoas e ameaça a saúde de 50 anos de vida da população mundial. A mudança climática sustenta todos os fatores sociais e ambientais da saúde, mas também tem implicações positivas.

A contagem regressiva da Lancet pelo rastreamento da progressão na saúde e nas mudanças climáticas é uma colaboração de pesquisa internacional e multidisciplinar entre instituições acadêmicas após a Comissão Lancet sobre Saúde e Mudanças Climáticas de 2015, enfatizar que a resposta às mudanças climáticas poderia ser “a maior oportunidade de saúde do século 21”.

Christiana Figueres, Presidente do Conselho Consultivo de Alto Nível da Revista Lancet e Ex-secretária Executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, explica. “O relatório Lancet Countdown mostra o impacto que as mudanças climáticas estão tendo na nossa saúde hoje. Também mostra que atacar as mudanças climáticas diretamente, inequivocamente e imediatamente melhora a saúde global. É simples assim. A maioria dos países não aproveitou essas oportunidades quando desenvolveram seus planos climáticos para o Acordo de Paris. Devemos fazer melhor. Quando um médico nos diz que precisamos cuidar melhor da nossa saúde, prestamos atenção e é importante que os governos façam o mesmo”.

O que a nova pesquisa “The Lancet Countdown: Tracking Progress on Health and Climate Change” revelou que os impactos destas constantes oscilações do clima sobre a saúde pública são claros e aumenta os desafios enfrentados por governantes de muitos países.

O Prof. Anthony Costello, Co-Presidente da Lancet Countdown e um dos diretores da Organização Mundial da Saúde, diz que a mudança climática está acontecendo e hoje é um problema de saúde para milhões em todo o mundo. ” A perspectiva é desafiadora, mas ainda temos a oportunidade de transformar uma emergência médica iminente no avanço mais significativo para a saúde pública neste século.  Ao avançarmos na direção certa, esperamos uma mudança gradual dos governos para enfrentar a causa e os impactos das mudanças climáticas. Precisamos de medidas urgentes para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Os benefícios econômicos e de saúde oferecidos são enormes. O custo da inação será contado em ‘perdas evitáveis de vidas em larga escala’, conta Costello.

Afeta mais vulneráveis e menos responsáveis

As descobertas divulgadas pelo jornal médico revela as diferentes maneiras pelas quais afetam a saúde de quem não tem direta responsabilidade pela destruição do meio ambiente e pelos mais vulneráveis da sociedade.

Para o Prof. Hugh Montgomery, Co-Presidente da Lancet Countdown e Diretor do Instituto de Saúde e Performance Humanas da University College London, ressalta que estamos apenas começando a sentir os impactos das mudanças climáticas. “Qualquer pequena quantidade de resiliência que possamos ter como garantida hoje será esticada até o ponto de ruptura mais cedo do que imaginamos. Nós precisamos tratar a causa e os sintomas das mudanças climáticas. Há muitas maneiras de fazer as duas coisas que fazem um melhor uso dos orçamentos sobrecarregados da saúde e melhoram as vidas no processo”, diz.

Efeito de migração pelo aumento do nível do mar

Aumentos inevitáveis ​​na temperatura global e no papel das mudanças climáticas como multiplicadores de ameaças e aceleradores da instabilidade indicam que muitas tendências identificadas deverão piorar significativamente.

Alguns dos impactos existentes sobre a saúde documentados incluem: a queda na produtividade do trabalho rural; o número de pessoas expostas à ondas de calor e aumento de temperaturas; a desnutrição devido à baixa na produção agrícola e culturas de subsistência; mortes prematuras ocorridas por poluição do ar. Em 2016, isso efetivamente tirou mais de 920 mil pessoas em todo mundo da força de trabalho. Além de um processo migratório em todo o mundo, em que mais de um bilhão de pessoas enfrentarão dentro dos próximos 90 anos devido ao aumento do nível do mar.

Durante a Conferência Global do Clima, que aconteceu em Bonn este ano, na Alemanha, o ex-governador da Califórnia e ator, Arnold Schwarzenegger participou do evento Ações de Saúde para a Implementação do Acordo de Paris, no mês de novembro.  Schwarzenegger pediu mais atenção para os riscos imediatos que a poluição da água e do ar causam à saúde. A Conferência na Alemanha, encerrada no mês passado, reuniu diplomatas de todo o mundo para discutir o Acordo climático de Paris.

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