Morre Monarco, símbolo do carnaval e presidente de honra da Portela

O nome pelo qual se tornou reconhecido é produto de um apelido de infância, que carregaria por toda a vida adulta

Um dos símbolos do Carnaval e da cultura brasileira, Hildemar Diniz, o mestre Monarco, presidente de honra da Portela, morreu neste sábado (11), aos 88 anos. O cantor e compositor estava internado desde o início de novembro, no Hospital Cardoso Fontes, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, onde passou por uma cirurgia no aparelho digestivo. A causa da morte ainda não foi revelada.

A morte de Monarco foi confirmada por amigos do artista e pela Portela à CNN. Em sua carreira, o sambista gravou 16 álbuns de estúdio. O mais recente deles em 2018, “Monarco de todos os tempos”, lançado pela Biscoito Fino, foi indicado ao Grammy Latino, na categoria melhor álbum de samba e pagode.

Na agremiação que detém o maior número de títulos do Carnaval carioca, Monarco figura na galeria de bambas como Clara Nunes, Paulinho da Viola e Paulo da Portela, fundador da escola, de quem o sambista logo se tonaria discípulo. O nome pelo qual se tornou reconhecido é produto de um apelido de infância, que carregaria por toda a vida adulta.

A Portela informou que, na sexta-feira (10), o presidente de honra da escola foi homenageado com a inauguração da Sala de Troféus da agremiação, que leva seu nome. A sede da escola também foi o local onde o baluarte fez sua última apresentação, em outubro, na Feijoada da Família Portelense, ao lado de outros integrantes da velha guarda, após ter concluído o esquema vacinal contra a Covid-19.

Carioca do bairro de Cavalcante, na Zona Norte o sambista cresceu em Oswaldo Cruz e, ainda jovem, se tornou presença certa nas rodas de samba do bairro e de Madureira. Nos eventos, conheceu vários sambistas da escola, o que anos depois o levaria a ingressar na ala de compositores da azul e branco, ainda na década de 1950.

Desde então, Monarco passou por diferentes funções: foi diretor de harmonia, compositor, mais antigo integrante da velha guarda e autor de sambas de exaltação, eternizados no imaginário dos apaixonados por Carnaval. Entre eles, está o sucesso “passado de glórias”. O artista também é reconhecido por “Triste desventura” e “Coração em desalinho”. Curiosamente, jamais teve um samba-enredo escolhido pela escola para desfile.

Em 1999, o cantor e compositor participou da gravação do álbum “Tudo Azul”, da também portelense Marisa Monte, ao lado dos companheiros de velha guarda.

O sambista era conhecido também por ser um dos mais ilustres torcedores do América, clube pelo qual era apaixonado. Ainda não há informações sobre velório e sepultamento. CNN

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