Mascotes nas redes sociais da vida

O que faz uma pessoa tratar seus animais como seres humaninhos? A psicologia não explica. Eu, muito menos

Todos os dias vejo um monte de fotos, posts, stories de tudo o que seria possível e plausível, mas nada se compara a tratar os bichos de estimação; vacas, porquinhos, cachorros, gatos, etc. como pessoinhas. Gatos vestindo chapéu e óculos, cachorros com roupas de Natal, coletes de salva-vidas num basset. Isso poderia ser tratado como demência, falta de amor, falta de companhia ou falta de tudo na vida? Pode até ser, Freud explicaria, mas ainda vejo esse tipo de abuso como uma válvula de escape, já que fomos e estamos presos e enclausurados por causa da pandemia.

Ainda não entendo esse tipo de “carinho”, porém abusar da boa vontade animal também não faz bem para ninguém. Vestir bichos como pessoas pode até ser bonitinho, fofinho, úti-gúti e tal. Mas é uma aberração. E faz mal. Ou você é daqueles que também acham que bicho não pensa? Se eu tivesse que escolher um poder celestial, escolheria dar voz aos animais. E fico pensando em quantas frustrações, rancores e maldições recairiam sob nossas cabeças. E imaginando o tanto de reclamação que ouviríamos. Melhor não. Em time que está ganhando não se mexe.

Totalmente sem sentido? Sim, mas são muito. muito fofos
Totalmente sem sentido? Sim, mas são muito, muito fofos

Em compensação, aqueles que nunca fizeram troça nos animaizinhos, só escutariam coisas lindas, muitos “muito obrigado”, muitos. Agradecimentos até demais. Ainda bem que não falam ou leem, imagino se a palavra “Gratidão” não ficaria incrustada nas cabecinhas deles. Melhor não. Sem poder nenhum. Eles não merecem tanta babaquice. Outro dia vi uma foto que me chocou, com o perdão do trocadilho, em que uma galinha estava de Maria Chiquinha! Oras, a pessoa que fez isso ou é uma criatura sem a mínima noção ou é um ser desprovido de qualquer amor. Ou é um tremendo sacana, o que me leva a acreditar nessa hipótese.

Os ovos já vêm com purpurina?

E, de repente, vem um meme do Mustafary, interpretado pelo Marco Luque, que fez um remix do “Serumaninho”. E colou, com o “serumaninho, brabinho, bonzinho”. Mas que é cachorro e, como tal, morde suas correntes, sua canela e pula. Muito. Até a hora em que a paciência explode. Nada mais justo, afinal, o serumaninho quer atenção, amor e respeito, não bóbis na cabeça ou gravatinhas e muito menos unhas pintadas. Tem a nova máxima que também diz que, se você não sabe brincar, não desce pro play. O que também é uma frase sem sentido, mas como falo sobre sobre falta de noção… Cabe aqui.

Devo confessar que, há muito tempo atrás, muito mesmo, meu marido e eu vimos um besouro verde cintilante no chão de casa. Naquela época existia uma loja de grife de carros em São Paulo, a Dacon – quem é antigão vai se lembrar. Pois bem, esse besouro foi remasterizado, pintado e saiu de lá com as asas pintadas com tinta guache – não tóxica e lavável- com a assinatura da Dacon. E voou em alto estilo. Dizem as más línguas que ele foi visto lá em Las Vegas, toda montada. E por lá ficou.

Por

paula.toom@oestadorj.com.br

Jornalista, tradutora, revisora e redatora. Tem 3 cachorros, 3 gatos fixos e mais um monte ao seu redor. Cuida para que eles não sejam abandonados pelas sarjetas. É editora-chefe das colunas que você lê aqui.

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