Minhas mascotes de quatro rodas

A montadora vai embora do Brasil. Uma notícia dessas deveria ficar guardada com chave reserva

Sempre gostei de carros. Quando eu era pequena, bem pequena, lá pelos anos de 1970, lembro que meu pai tinha um Corcel, não o II, mas o I mesmo, originalmente com a placa amarela e números pretos: AW 1030. Inesquecível como deveria ser. Pronto, meu fetiche por carros começava ali, naquela coisa que não andava como os de hoje mas, que raios, eu só tinha 6/7 anos!

E aí soube que a Ford vai embora do Brasil. Me pergunto se é de verdade mesmo ou se é só um teaser pra um novo lançamento deles, com seus carros ícones de décadas. E que funcionam até hoje. Sábado mesmo vi uma Belina, horrorosa para os padrões de hoje, andando toda lépida e faceira pelas ruas da cidade e me lembrei com muito carinho das viagens que fazia no Corcel do meu tio, perambulando pelas cidades, pelos parques, pelos clubes.

Eram outros tempos, não tínhamos essa abertura de hoje, mundo globalizado e um querendo morder a canela do outro. Outros tempos, sem dúvida. Mas meu fetiche por carros acabou fazendo também com que faça de meus carros minhas mascotes. De TL, passei por Fuscas, Variants, Fiats 147, Monzas e uma infinidade de tipos e cores. Hoje sou 4×4 e chega.

Sim, a vida era muito divertida nessa época, sem concorrência desesperada e sem a globalização, que deixou todos os carros com a mesma cara e forma, brigando por acessórios entre eles. Bons tempos esses sem cinto de segurança, sem air bag, sem ao menos um som decente e até sem retrovisor no lado do passageiro!! Som? Era AM/FM ou nada. Um dia na praia ou nada. Ford, Chevrolet, Volkswagen ou nada.

CARRO ANTIGO: PÁTIO FORD - WILLYS 1969 - 70
Quando o Ford Willys era quem lotava os pátios

Minhas lembranças e meus sentimentos a essa montadora, que agora sai daqui para ficar apenas na memória de um passado feliz em anos sem globalização, sem ao menos saber que o fim começa no início do meio.

Está ficando cada vez mais ford essa vida da gente.

Por

paula.toom@oestadorj.com.br

Jornalista, revisora e redatora. Tem 3 cachorros, 3 gatos fixos e mais um monte ao seu redor. Cuida para que eles não sejam abandonados pelas sarjetas. É editora-chefe das colunas que você lê aqui.

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