Minha mascote canudo de alumínio

Escapando do tema mascote, mas sempre defendendo o mundo com eles e para eles

Segunda- feira, 13 de janeiro de 2020. Vejo a nova determinação paulistana, indo na onda carioca sobre a proibição de uso de canudos de plástico e outras determinações, como talheres de plástico, pratos etc. Válido, mas nada que resolva de verdade a poluição dos mares e rios, parece-me que foi apenas para não entupir ainda mais os esgotos clandestinos das invasões do entorno da maior cidade do Brasil. Maior sim, em tudo, temos inúmeros investimentos, inúmeros projetos, inúmeras causas abandonadas. Causas e casas.

Indo no contrafluxo de mascotes, mas buscando sempre um mundo ideal, sugiro uma reflexão no nosso modo de viver. Você já imaginou como seria voltar novamente a beber num copo de vidro, servido em garrafas de vidro? E tudo servido em qualquer boteco, padaria ou restaurante, sem distinção, com talheres de metal, em pratos de louça? Um sonho, mas que pode se tornar padrão daqui a alguns anos.

Isso me faz pensar nas milhares de garrafas PET que, ao contrário dos pets que tanto amamos, faz um mal extraordinário ao redor do mundo. E quase ninguém toma uma atitude contundente e racional. Canso de ver e de perder a conta na quantidade de garrafas PET estacionadas nas areias, principalmente nas praias de pouco movimento. Sim, essas praias existem e estão fadadas a receber esse monte de lixo, junto com tartarugas, pinguins, peixes e, pasmem, lobos marinhos, mortos ou exaustos na beira do mar.

Uma ONG estimou que 3.400 garrafas de plástico foram fabricadas por segundo apenas por uma fábrica de refrigerantes, só em 2016. E foi muito mais que isso, se computarmos todas as empresas fabricantes desse tipo de embalagem no mundo. Hoje o volume deve ser bem maior.

E as enchentes, que assolam as cidades? Note que, em toda tragédia de verão, as ruas ficam lotadas de sofás, geladeiras e muitas, muitas garrafas, garrafões, copinhos. E animais, esses sim, grandes vítimas da chuva, com poucos anjos salvadores. Tudo por causa do entupimento da ignorância de não saber que não pode jogar tudo em qualquer lugar. Não sabem? É sério?

Não sou a Gretha Thurnberg e não estou aqui apontando os dedos para ninguém, mas como nos atrevemos (“how dare you?”) a trocar apenas as embalagens, sem resolver um mínimo de respeito aos seres marítimos, de pequenos crustáceos a enormes mamíferos?

Novamente vem à minha cabeça essa história de canudinhos de metal, copinhos de vidro, talheres de aço, tudo com a maior boa vontade, mas nada funcionais, já que, ou entupimos o planeta de lixo, ou gastamos muito mais água na hora de lavar os salvadores do planeta. Sou uma adepta do pouco lixo, do pouco plástico, da pouca emissão de carbono, mas estamos no caminho certo?

Dessa maneira, teremos que adotar novas mascotes: copos padronizados e de uso próprio, canudinhos de metal, também particulares. Atreveremo-nos a sair de casa sem uma maleta com nosso “kit-mundo-sem-plástico”. Livraremos nossa consciência, salvaremos nosso organismo, trataremos bem os oceanos, alimentaremos nossa alma com bons fluidos. E as garrafas continuarão entupindo os mares.

O caminhão da reciclagem acabou de passar na minha rua, já passou na sua? Exigir o bem-estar da nossa vida é um direito de todos, exigir que o entorno seja salubre a todos os seres que vivem nele é uma obrigação. Cuide da sua área, cuide de quem vive nela, faça do seu bairro uma extensão do seu quintal. Sem baratas, ratazanas ou pernilongos, sejam eles de qual partido for.

This is all wrong. How dare you?*
*Isso está errado. Como vocês se atrevem?

Por

Jornalista, revisora e redatora. Tem 3 cachorros, 3 gatos fixos e mais um monte ao seu redor. Cuida para que eles não sejam abandonados pelas sarjetas. É editora-chefe das colunas que você lê aqui.

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