Mercado financeiro começa a definir seus preferidos à Presidência para 2022

Segundo o CEO de uma das maiores gestoras do país, a Faria Lima (avenida de São Paulo onde se concentram muitas empresas do mercado financeiro) tem uma decepção muito grande com Bolsonaro

Ainda falta cerca de um ano para as eleições de 2022, mas o mercado financeiro, que gosta de se antecipar, já começa a discutir quem seria seu candidato preferido.

Participantes influentes do mercado, que não quiseram divulgar seus nomes: dois CEOs de duas das maiores gestoras do país; o economista-chefe de um dos maiores bancos nacionais; e o presidente do Conselho de Administração de uma das maiores instituições financeiras do Brasil; além de analistas de mercado e casas de análise, comentam:

O economista-chefe de um grande banco diz que o mercado está dividido entre os que se decepcionaram com o atual presidente Jair Bolsonaro e os que têm medo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele disse: o que não tem hoje é o quadro de quatro anos atrás, quando o mercado não pestanejava em relação a Bolsonaro. Hoje já há um receio de que ele se torne um presidente populista.

Um ponto crucial, que pode ser o critério de desempate, é a definição do vice-presidente, que pode tanto favorecer Lula, quanto um candidato de terceira via – opção que seria o “sonho de consumo” do mercado, mas por ora parece pouco factível.

Segundo o economista-chefe, o mercado está olhando muito para o vice, porque Sergio Moro depende de um bom vice para conseguir fazer uma boa articulação política. E, no caso de Lula, um vice como o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin pode simbolizar que ele será mais moderado e caminhará mais ao centro.

Especificamente sobre Lula, o economista cita uma frase muito repetida entre economistas: se será o Lula de 2022 vai ser o “Lula 1” ou “Lula 2”. Se for o “Lula 1”, a aceitação é maior, referindo-se ao primeiro mandato de Lula, em 2003, quando o ex-presidente nomeou nomes respeitados na equipe econômica e escreveu a carta ao mercado; ou se seria o Lula do segundo mandato, quando o governo foi mais intervencionista e cercado de nomes como Guido Mantega e Arno Augustin.

O presidente do conselho de uma das maiores instituições financeiras do mercado vê ressalvas sobre Lula, se entusiasma mais com o ex-juiz Sergio Moro e o governador de São Paulo, João Doria – apesar das menores intenções de voto de ambos -, mas avalia que Jair Bolsonaro tem hoje a maior rejeição no mercado.

Ele diz que o problema do Lula é o PT, uma vez que o CNPJ do ex-presidente é o partido. Mas pondera que se Lula se juntar a Alckmin, a aliança daria uma segurança grande para o mercado. Moro é um candidato forte, prossegue, mas depende de quem vai ser seu vice e sua equipe.

João Doria aparece atrás nas pesquisas, mas, segundo ele, nunca se deve duvidar de uma pessoa obstinada. E completa: a maior preocupação hoje do mercado é ter Bolsonaro na presidência em 2023, porque ele é um presidente errático e provoca muita volatilidade na Bolsa.

O CEO de uma das maiores gestoras do país corrobora essa visão. Segundo ele, a Faria Lima (avenida de São Paulo onde se concentram muitas empresas do mercado financeiro) tem uma decepção muito grande com Bolsonaro, apesar de Paulo Guedes ser muito conhecido no mercado. E Lula conseguiu algumas pontes com o mercado em sua gestão. Mas o caminho preferido seria uma terceira via.

A rejeição a Bolsonaro, prossegue o CEO, se explica pelo fato de que boa parte dos economistas que estão nas principais instituições financeiras do país são ex-integrantes de governos do PSDB e do PT. Segundo ele, são economistas mais de centro ou esquerda. Esse é um bom termômetro de como pensa o mercado financeiro, diz.

Outra visão difundida é que o mercado aceitou diversas medidas que contrariaram a agenda liberal prometida por Bolsonaro, mas seguiu apoiando o governo porque achava que Paulo Guedes era o fiel do teto de gastos e manteria a regra intacta.

A gota d’água foi a mudança na PEC dos Precatórios, que abriu espaço no teto para o Auxílio Brasil – o que o ministro definiu como um “waiver” na ocasião. A medida foi interpretada como o furo do teto e um claro sinal de que as contas públicas não seriam mais tão disciplinadas como antes, já que o governo ganhava uma licença para gastar.

Equipes econômicas

A definição de nomes da equipe econômica é outro fator que se discute no mercado. Participantes elogiam a definição de Affonso Pastore, apontado por Moro como seu conselheiro.

Já o time que o PSDB tenta escalar, apesar de ainda não ter respostas sobre os convites feitos, é definido como “dream team” (o time dos sonhos).

Em uma entrevista à CNN no dia seguinte à prévia do PSDB, João Doria afirmou que sua equipe econômica terá seis integrantes, sendo três mulheres, e não será centralizada em uma pessoa, “não terá um Posto Ipiranga”.

Entre os nomes cotados estão a economista Zeina Latif, que foi economista-chefe da XP, e Ana Carla Abrão, sócia da Oliver Wyman e uma das maiores autoridades sobre reforma administrativa. Ambos os nomes muito respeitados pelo mercado.

Uma das fontes consultadas resume de forma muito simples o cenário, dizendo que o mercado não tem preferência, simplesmente quer um presidente que siga com a agenda de reformas e seja responsável do ponto de vista fiscal.

O presidente que simbolizar isso, seja indicando um vice ou uma equipe econômica que represente essas teses, vai ganhar a preferência do mercado. CNN

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