Mercado de trabalho vai desde formal à informal

Trabalhar formalmente ou informalmente tem suas características. O percentual médio de trabalhadores com carteira de trabalho assinada em relação à população ocupada com outros trabalhos, incluindo os informais , aumentou em 12 anos quase 20 pontos percentuais

Trabalhar informalmente ou formalmente tem pros e contras. A diferença entre eles pode estar na estabilidade dos direitos.  Por exemplo, o trabalho formal é assegurado pelas leis trabalhistas, onde sua principal característica no Brasil é a assinatura da carteira de trabalho. Sendo assim o trabalhador cria vinculo empregatício com instituição.

 Já o trabalho informal é aquele onde o empregado não possui vínculo empregatício formal, não está assegurado pelas leis trabalhistas e benefícios.  A empresa opta em pagar um salário maior no lugar do contrato de trabalho que gera mais gastos e sem qualquer vinculo empregatício.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o percentual médio de trabalhadores com carteira de trabalho assinada  em relação à população ocupada com outros trabalhos, incluindo os informais , aumentou em 12 anos 19,9 pontos percentuais, passando de 39,7% em 2003 (7,3 milhões), para 59,6% em 2014.

Os dados fazem parte da Pesquisa Mensal de Emprego, levantado nas regiões metropolitanas do Recife, de Salvador, de Belo Horizonte, do Rio de Janeiro, de São Paulo e Porto Alegre, onde o estudo aponta que de 2013 para 2014 o número de trabalhadores com carteira assinada passou de 50,3% (11,6 milhões) para 50,8% (11,7 milhões) um aumento em relação ao trabalho informal.

As diferenças de ser trabalhador formal e informal

Quando se optar por ter um trabalhador formal o empregador se compromete a repassar ao Estado a contribuição descontada, mas ainda garantindo todos os direitos trabalhistas como: férias, 13º salário, aposentadoria por tempo de serviço ou por invalidez, FGTS, PIS, entre outros.

O lojista Mario Menezes, 58 anos, trabalha há 15 anos com carteira assinada afirma que ser registrado foi a conquista de um sonho.  ”Desde muito jovem sempre trabalhei, quando tive a oportunidade de ter um emprego fixo e assinar minha carteira foi a conquista de um sonho, a estabilidade e os direitos profissionais. É você trabalhar e por a cabeça no travesseiro tranquilo, que em certo momento você poderá se aposentar e ainda poderá contar com as férias e o décimo  que faz a diferença”, afirma.

Já quem depende do trabalho informal sabe que não terá vinculo empregatício e terá que buscar seu sustento por conta própria. É o caso do ambulante, Sérgio Paulo, 49 anos deixou o emprego formal há quatro anos. Segundo ele, desde que perdeu o emprego teve que se virar e procurar o sustento da família.  “Tentei de tudo, bicos, revistas, tudo. Mas, foi como camelo que consegui manter o pão de cada dia na mesa. É aquele esquema, a gente tem que estar direitinho com a prefeitura para não recolherem nossas mercadorias, e manter um sorriso no rosto e os produtos com qualidade, e assim  conseguir agradar ao povo e se manter, neste trabalho que seu chefe é você”, diz ele.

Quando o trabalho informal vira ilegalidade

Deve se tomar cuidado para  que o mercado informal não se torne pirataria,  onde o trabalhador não possui o alvará; a autorização da prefeitura  para trabalhar em determinados locais ou comercializar produtos sem a autorização dos proprietários da marca. Essa prática  é considerada crime contra o direito autoral, com pena que pode chegar a quatro anos de reclusão e multa.

De acordo com Marianna Peixoto, 58, vendedora ambulante do Centro do Rio ,o segredo é ser atento, ético e sempre buscar agir dentro da lei.  “Nem sempre o mercado informal é uma pirataria, porque muitas vezes o produto não é ilegal. Sendo assim, é importante diferenciar para não confundir trabalhadores informais com criminosos”. Para ela, a pirataria vai muito além de vender cd falso, está presente nos lares quando se baixa um arquivo ou uma música sem autorização. “Creio que o importante é estar consciente. O trabalho informal engloba varias áreas, desde o cara que trabalha em casa enviando relatórios e fazendo consultorias sem carteira assinada, até a gente que trabalha na rua. A diferença é o olhar e a ética de que cada um trabalha, e busca agir corretamente, dentro da lei, tendo tudo escrito num papel ou sendo tudo feito na credibilidade do caráter e boa índole do cidadão”, explica.

Por

Webjornal O Estado RJ > No ar desde 28/05/2007 > Promovemos o Projeto Futuro Jornalista.

Comentários estão fechados.