Menu de hoje: A volta do jantar

Há anos atrás escrevi aqui mesmo no jornal sobre o comportamento humano diante da modernidade e tecnologia. Estou falando dos anos 80 e lá se vão longos anos. A onda era o walkman. As pessoas colocavam os fones nos ouvidos e viviam num mundo paralelo, onde tudo era perfeito e possível. Com o passar dos anos mais pessoas aderiram esse acessório que vinha em várias cores e modelos. Eu mesmo tive alguns e adorava ouvir minha playlist ou as rádios que tocavam as músicas do momento. É , já existiram rádios que tocavam só sucessos.

Veio os anos 90 e com a popularidade dos cds (compact disc) houve mais um avanço tecnológico e a moda era o discman. Você colocava um cd dentro e ouvia as músicas que gostava. Eu me lembro que na época eu tinha um cd, o do filme “Pulp Fiction” – Tempo de violência, e ele vivia dentro do meu aparelho. Ouvia direto. O engraçado é que quando colocávamos o fone de ouvidos nada a nossa volta fazia parte do nosso mundo. Viajávamos com nossa imaginação e o momento. Bons anos 90 e ótima a tecnologia digital.

E como não bastasse vivermos na era digital, tivemos com a chagada do PC (computador pessoal) um avanço  significativo na tecnologia e que seria o início de uma nova era. A internet acessível à população veio aos poucos. Primeiro discada e hoje em fibra ótica, nos permite estar conectados 24 horas direto com o mundo. Pessoas se reencontraram, informações e estudos ficaram ao alcance de todos. O mundo globalizado dos anos 90 só se tornou realmente acessível a todos depois da polarização da internet. Bem-vindo ao mundo digital.

O problema é que com o lado positivo da rede internacional, também veio o negativo. O uso para o mal, para denegrir e criar as famosas “fake news” ou notícias falsas. Mas se pararmos para analisar que durante a nossa trajetória como seres humanos, sempre houve o avanço evolutivo junto com o perigo real e eminente do uso para o mal. As vezes ele consegue superar as nossas expectativas, mas também é verdade que, na maioria das vezes o que fica é o saldo positivo. Lembro-me que na chegada do novo milênio a internet ainda era um campo quase inexplorado e perigoso. Muitas coisas negativas aconteceram, talvez fosse necessário para que hoje tivéssemos uma rede menos perigosa.

Eu sempre fiz uso dessa forma de nos comunicarmos com o outro, com o mundo e digo sem pestanejar que me considero um espécime da geração digital. Vou contar uma coisa engraçada, pelo menos para mim. Eu quando era jovem cheguei a fazer um curso de datilografia, tenho certeza que muitos não sabem o que é, mas eu fiz. Era para se aprender a digitar em uma máquina de escrever, tem jovens que nunca viu uma. Antigamente era assim que se escrevia em jornais, revistas e também para escrever um livro. Mas acontece que eu não cheguei a terminar o curso, pois a técnica de manusear os dedos junto às teclas me deixava confuso. Pensei que nunca conseguiria digitar um texto para publicar ou mesmo uma carta. Mas aí veio o computador pessoal e eu acabei aprendendo a digitar, e rápido. Acho que ter que aprender sob pressão datilografia me deixou bloqueado, mas quando tive meu primeiro computador pude realmente ter o prazer em aprender e foi rápido e fácil.

Mas o que quero dizer hoje aqui é que os anos passaram, e bota anos nisso, e nós conseguimos nos superar na individualidade e egoísmo. Hoje somos e vivemos mais sozinhos. Basta ter um notebook, um celular e, para alguns um Playstation, que a vida se torna feliz e completa. Acho que precisávamos nos reinventar e resgatar a família. Aquele momento do jantar onde todos sentados à mesa falam, gritam e riem mostrando o quão é importante a relação humana. Sinto falta disso hoje. Acho que vou propor isso no jantar de hoje.

Por

Jornalista e comentarista esportivo. Moro em Niterói há 22 anos. Fã de cultura e esportes. Ex-editor em jornais na cidade do Rio de Janeiro. Atualmente me dedico à interatividade cultural. Acredito na importância da divulgação por todos os meios da cultura nesse país.

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