Mente quem diz que a Lua é velha

“Que haverá com a Lua que sempre que a gente a olha é com o súbito espanto da primeira vez?” Mário Quintana

Na rua, semana passada, vi uma tatuagem no braço de uma cidadã qualquer, numa fila de pastel, em que estavam tatuadas todas as fases da Lua, num tríceps que um dia vai chacoalhar mais que plantação de milho. Mas a Lua estava lá, com suas nuances todas.

Me lembro que ela sempre esteve comigo nos meus melhores dias, brilhando lá no céu; noutras vezes ela estava nascendo enquanto o Sol se punha. Foi quando percebi que a Lua é minha mascote, as estrelas e os planetas são meus guias e é por isso que mudo sempre de humor. Sim, a culpa é toda dela, da Dona Lua linda. A Lua é dona de todas as coisas, das marés, dos animais e, claro, das mulheres. Homens não, nunca, jamais. Sei.

Então vem o ser impreciso e sempre indelicado, que tem ímpetos e rompantes nada adestrados, visto que também é quase um cachorro, meio lobo: lobisomem. Ele, o ser supremo da baixaria, gula e tara humana num ente dito masculino. Macho pra caramba. Aí o sol nasce, fazendo com que o lobisominho se encolha todo, mal chegando a um chihuahua.

A Lua é o único satélite natural da Terra e o quinto maior do Sistema Solar. É o maior satélite natural de um planeta no Sistema Solar em relação ao tamanho do seu corpo primário, tendo 27% do diâmetro e 60% da densidade da Terra, o que representa ¹⁄₈₁ da sua massa. E sim, vi o Homem pisar na Lua. Nem machucou.

Outro dia li um estudo mostrando que os animais têm comportamentos diferentes em fases lunares. Leões matam mais após a Lua Cheia, texugos fazem mais xixi na Lua Nova, morcegos atacam menos na Lua Cheia, corais se reproduzem em uma noite específica de dezembro, espécies de pássaros caçam melhor na Lua Cheia, escorpiões brilham de acordo com a intensidade do luar. Ou seja, antes de sair num safári, anote as datas lunares e veja como estão as feras. Na Lua Cheia não é recomendado que se passeie nas savanas. Como se alguém em sã consciência fizesse isso.

Ok, e o que eu tenho a ver com isso? Tudo e nada. Sim, sou lunática desde que nasci, mas não interferi no meu nascimento, mesmo que todos digam que quando a Lua muda, os bebês nascem. Ora, nenês nascem todos os dias, todas as horas, o tempo todo! Mas a Lua, ah a Lua… com aquela luz maravilhosa, que me deixou atônita aos seus pés quando tinha uns míseros 15 anos, na beira do mar… E chega de reticências, que isso é uma coluna de mascotes, não de poesias. Mas essa Lua…

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Um satélite, uma luz, uma inspiração

Levando a análise para o outro lado do travesseiro, dizem que a Lua também interfere na qualidade do sono. Dizem que, em média, nas noites de Lua Cheia, as pessoas tenderiam a demorar mais para adormecer, uma vez apagadas as luzes, dormiriam pior. E o período de sono duraria 20 minutos a menos que em outras fases lunares. Em compensação, não há nada de estudo que confirme que a lua interfere no crescimento dos cabelos, nem no nascimento, tampouco no ciclo fértil. Ou seja, pode namorar à vontade sob um luar que, se engravidar foi por pura sem-vergonhice. E não, a Lua é só um satélite que deixa as noites mais lindas quando está Cheia e menos claras quando está Nova.

Por fim, volto a lembrar do meu gato branco, o Ralph, que misteriosamente mudava radicalmente seu humor em noites de Lua Cheia. Se não há mesmo uma conexão lunar, o Ralph foi para o céu fazer as vezes de Lua, com seu brancor puro e indelével de quem nunca precisou de nada além de amor. MPB 4 tinha razão. Mente quem diz que a Lua é velha.

Por

paula.toom@oestadorj.com.br

Jornalista, tradutora, revisora e redatora. Tem 3 cachorros, 3 gatos fixos e mais um monte ao seu redor. Cuida para que eles não sejam abandonados pelas sarjetas. É editora-chefe das colunas que você lê aqui.

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