Marte tem ‘quantidades significativas de água’

A maior parte da água no planeta vermelho está localizada nas regiões polares e permanece congelada

Marte tem sua própria versão do Grand Canyon (fissura natural resultante de constante erosão, no Arizona), e os cientistas descobriram que essa característica dramática é o lar de “quantidades significativas de água”, após uma sondagem feita por uma sonda circulando o planeta vermelho, de acordo com a Agência Espacial Europeia (ESA). As descobertas foram publicadas na revista Icarus.

O ExoMars Trace Gas Orbiter (TGO), lançado em 2016 como uma missão conjunta entre a Agência Espacial Europeia (ESA) e a Roscosmos, detectou a água em Valles Marineris, região marciana. Este sistema de cânion é 10 vezes mais longo, cinco vezes mais profundo e 20 vezes mais largo que o Grand Canyon.

A água está localizada abaixo da superfície do sistema de cânion e foi detectada pelo Detector de Nêutrons Epitérmicos de Resolução Fina (FREND, em inglês). Este instrumento é capaz de mapear hidrogênio a quase um metro de profundidade do solo de Marte.

A maior parte da água no planeta vermelho está localizada nas regiões polares e permanece congelada.

Valles Marineris fica ao sul da ‘linha do equador’ de Marte, onde as temperaturas normalmente não são frias o suficiente para que o gelo de água continue.

As observações foram coletadas pela sonda entre maio de 2018 e fevereiro de 2021. Anteriormente, outras naves procuraram por água logo abaixo da superfície de Marte e detectaram pequenas quantidades sob a poeira marciana.

“Com o Trace Gas Orbiter podemos olhar até um metro abaixo dessa camada empoeirada e ver o que realmente está acontecendo abaixo da superfície de Marte — e, crucialmente, localizar ‘oásis’ ricos em água que não puderam ser detectados com outros instrumentos”, disse o autor do estudo Igor Mitrofanov, principal cientista do telescópio FREND, em um comunicado.

“FREND revelou uma área com uma quantidade invulgarmente grande de hidrogênio no colossal sistema de cânion Valles Marineris: assumindo que o hidrogênio que vemos está ligado às moléculas de água, até 40% do material próximo à superfície nesta região parece ser água.”

Para que você entenda a dimensão, esta área tem quase o tamanho da Holanda. Ele se sobrepõe ao Candor Chaos, uma rede de vales dentro do sistema de desfiladeiros. O instrumento FREND procura nêutrons para mapear o conteúdo de hidrogênio no solo marciano.

“Podemos deduzir quanta água há no solo olhando os nêutrons que ele emite”, disse o coautor do estudo Alexey Malakhov, cientista sênior do Instituto de Pesquisa Espacial da Academia Russa de Ciências, em um comunicado.

Isso porque “os nêutrons são produzidos quando partículas altamente energéticas — conhecidas como ‘raios cósmicos galácticos’  — atingem Marte; solos mais secos emitem mais nêutrons comparados a regiões mais úmidas”, disse ele no mesmo comunicado.

“Encontramos uma parte central de Valles Marineris cheia de água — muito mais água do que esperávamos. Isso é muito parecido com as regiões de permafrost da Terra, onde o gelo de água persiste permanentemente sob o solo seco por causa das baixas temperaturas constantes.”

As capacidades únicas de observação do instrumento permitiram à equipe detectar a água que permanecia escondida antes, disse Malakhov. Pode ser água gelada ou água ligada a minerais no solo. Mas os cientistas acreditam que a presença de gelo é mais provável porque os minerais neste local contêm pouca água.

Existem temperaturas mais altas perto do equador em Marte, então os pesquisadores acreditam que possa haver alguma combinação especial de condições que permitem que a água permaneça [no local] e seja reabastecida.

“Esta descoberta é um primeiro passo incrível, mas precisamos de mais observações para saber com certeza com que tipo de água estamos lidando”, disse o coautor do estudo Håkan Svedhem, ex-cientista do projeto orbital, em um comunicado.

“A descoberta demonstra as habilidades incomparáveis ​​dos instrumentos do TGO em nos permitir ‘ver’ abaixo da superfície de Marte — além de revelar um grande reservatório de água não muito profundo e facilmente explorável nesta região marciana.”

As futuras missões a Marte pousarão em latitudes mais baixas. Este achado em Valles Marineris destaca a aparência [do lugar] como algo intrigante para a potencial exploração humana nos próximos anos, especialmente porque essa água seria muito mais acessível do que outras fontes de água subterrâneas descobertas anteriormente.

Este mapa mostra as maiores concentrações de água em azul e roxo, conforme detectado pela sonda. / Reprodução / ESA”Saber mais sobre como e onde existe água no planeta atual é essencial para entender o que aconteceu com a água outrora abundante do planeta e nos ajuda na busca por ambientes habitáveis, possíveis sinais de vida passada e materiais orgânicos dos primeiros dias em Marte”, disse Colin Wilson, cientista do projeto ExoMars Trace Gas Orbiter da ESA, em um comunicado.

Em 2022, o rover europeu Rosalind Franklin e a plataforma de superfície russa Kazachok serão lançados e deverão pousar em Marte em 2023.

O rover perfurará abaixo da superfície de Marte em busca de material orgânico na expectativa de revelar se Marte já hospedou vida. O rover irá explorar Oxia Planum, um local de rochas antigas ricas em argila expostas que já foram expostas à água. CNN

Por

contato@oestadorj.com.br

Webjornal Oerj - O Estado RJ > No ar desde 28/05/2007 > Promovemos o Projeto Futuro Jornalista.

Comentários estão fechados.

http://api.clevernt.com/0d18126b-b33f-11e7-bb95-f213f22ad24e