Mandetta: Congresso e STF se opõem a eventual saída

A situação do ministro no governo ficou delicada após semanas de desentendimentos com o presidente sobre a linha a ser adotada no combate ao novo coronavírus

O Congresso Nacional e o STF (Supremo Tribunal Federal) são contrários a uma eventual demissão do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM).

O presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (DEM-AP), avisou aos ministros da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, e da Cidadania, Onyx Lorenzoni (DEM), que o Legislativo é contra a demissão e não vai digerir bem a eventual saída de Mandetta.  

O STF fez sinalização similar ao Executivo. Há no Supremo uma ação que questiona o cumprimento, por parte do governo brasileiro, das medidas de contenção da pandemia do novo coronavírus definidas pela OMS, e que pode ser julgada em caso de mudança no ambiente político.  

Ramos e mais dois ministros militares – os generais Braga Netto, da Casa Civil, e da Defesa, Fernando Azevedo – lideram a ofensiva dentro do Executivo para dissuadir Bolsonaro da demissão de Mandetta.

A situação de Mandetta no governo ficou delicada após semanas de desentendimentos com o presidente sobre a linha a ser adotada no combate ao novo coronavírus. Como pano de fundo do embate, recentes pesquisas do Datafolha mostraram apoio da maioria da população ao isolamento e uma aprovação a Mandetta maior que o dobro da do presidente.  

O ministro da Saúde defende a necessidade do isolamento social como forma de contenção da pandemia, o que também é defendido pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O presidente, por outro lado, critica a medida, afirmando que ela prejudica a economia e que só integrantes dos grupos de risco para a COVID-19 devem ficar isolados – o chamado “isolamento vertical”.

Na quinta-feira (2), Bolsonaro escancarou o desentendimento e disse à rádio Jovem Pan que Mandetta precisava de “humildade”. Um dia depois, o ministro minimizou o conflito e disse que “médico não abandona paciente”. Ontem (5), durante live nas redes sociais, Bolsonaro não citou nomes, mas fez ameaças. 

“A hora dele ainda não chegou, mas vai chegar. Porque a minha caneta funciona e eu não tenho medo, nem pavor de usar”, disse. “Algumas pessoas, algo subiu à cabeça delas. Estão se achando. Eram pessoas normais, mas de repente viraram estrelas.” 

A crise política ocorre no momento em que o Brasil acumula 12.056 casos confirmados de COVID-19 e 553 mortes pela doença, segundo números de hoje do Ministério da Saúde, e no momento em que o país se encaminha para a fase mais crítica da pandemia — no dia 17 de março, o próprio Mandetta disse que o Brasil viveria entre “60 e 90 dias de muito estresse” por causa do avanço da doença. CNN

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