Mais uma dose, é claro que eu tô a fim

Alguns hábitos já estão tão arraigados que se tornam verdadeiras verdades absolutas. O café é uma delas

O café é uma planta que tem a sua origem na Etiópia. Dizem as más línguas que ele surgiu na região da Cafa, daí o nome café. Tem sua lógica. Segundo também dizem, foi um pequeno pastor que começou a perceber que suas cabras ficavam esquisitas, meio doidas, meio agitadas quando comiam determinada folhagem. Eram folhas e frutas de café. E por que ninguém gritou Eureka por isso? Decerto ficaram tão encantados com essa bebida que esqueceram desse detalhe.

Saindo da Etiópia, passou pela Arábia, foi para o Egito e logo depois deu uma esticadinha até a Turquia. Não é à toa que o mundo todo se rende aos seus goles, quentes ou frios, com chantilly ou bolo, café é sempre café. Em tempo: na Etiópia se bebe café com sal. Essa parte eu pulo, não tenho maturidade para isso ainda. Sem açúcar já tá de bom tamanho.

Aqui no Brasil, essa maravilha só surgiu em 1727 quando o Sargento-Mor português Francisco de Mello Palheta, vindo da Guiana Francesa, trouxe as primeiras mudas da rubiácea (o café, para os leigos) para cá. Recebera-as de presente das mãos de Madame D’Orvilliers, esposa do governador de Caiena. Esses dados foram coletados no site da ABIC (Associação Brasileira da Indústria do Café), para que ninguém questione a qualidade das informações.

Existem outras histórias nada corretas contando de ‘causos’ em que o café ter sido contrabandeado para cá e outro mais romântico em que o Sargento teria recebido um punhado de sementes escondido pela Madame D’Orvilliers. Mas essas são outras histórias e nem a Carochinha conseguiria decifrá-las com total segurança. O que importa, hoje, é que segundo a FIA (Fundação Instituto de Administração), o Brasil permanece como o maior exportador do setor e o segundo país no ranking de maiores consumidores da bebida. E nós fazemos com que ela seja sempre bem feita.

Ok, um pouco de história nunca fez mal a ninguém, e daí? Qual a relação entre o café e a coluna? Nada e tudo, afinal, são anos e anos dependente de café, o que faz dele a minha mascote fiel por décadas. Com ele, escrevo melhor, penso melhor trabalho melhor. Sem álcool, é ele que me acorda, é ele que me faz parar. Só ele. Ele com bolo, ele com torta, ele com leite. Sempre ele no meio. Ele.

Café com Elvis Presley, companhia perfeita pra qualquer hora

Essa minha relação de amor com esse líquido, que sempre é convidado a participar das nossas vidas, afinal, de um jeito ou de outro, todo mundo bebe (um pequeno plágio de um slogan antigo), não gera nenhuma crise de ciúmes e só agrega mais pessoas à minha volta. Menos minha mãe, que não gostava de café, mas sempre deixava na manga uma xícara para quando tinha dores de cabeça que nunca passavam. A cafeína, além de ser deliciosa, faz milagres.

Por causa do café, eu costumo/tento colecionar xícaras e canecas variadas, antes que elas se quebrem. Tenho xícaras aos montes, todas para beber café, chá, água, leite. Ou simplesmente para deixar guardadas antes que se espatifem, que esse é o gran finale delas. Ao menos nas minhas mãos.

Em tempos incertos com os de hoje, nada como sentar à frente de uma mesa, com um bule cheio de café e uma boa companhia, dessa maneira tudo o que teremos que fazer é imaginar quando essa pandemia irá ser debelada. E em quanto quilos/ bules de café beberemos até lá.

Segue o jogo. Sem açúcar. Sem historinha. Só café e boas companhias.

Por

paula.toom@oestadorj.com.br

Jornalista, tradutora, revisora e redatora. Tem 3 cachorros, 3 gatos fixos e mais um monte ao seu redor. Cuida para que eles não sejam abandonados pelas sarjetas. É editora-chefe das colunas que você lê aqui.

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