Liberdade! Liberdade! A Turma do Sítio pede passagem para novas emoções

Agora poderemos ver a Emília com o celular na mão marcando um encontro com seu namorado, um primo distante do Ken. O Visconde de Sabugosa dando aula numa faculdade. A Tia Anastácia agora é dona de uma franquia de bolos caseiros, a “Bolos da Anastácia”. O Pedrinho, bem, esse menino que sempre gostou de aventuras, agora participa de vários esportes radicais. O último foi a escalada ao Monte Everest. Narizinho virou modelo e às vezes é vista no castelo de Caras dando dicas para as meninas, pois virou digital influencer.

O Saci Pererê finalmente conseguiu junto à Previdência uma prótese, mas enquanto aguarda a entrega, utiliza uma bengala ao estilo Charlie Chaplin. Está um charme. Entrou para um grupo de funkeiros e agora cria toda semana um vídeo no youtube.

A obra de José Bento Renato Monteiro Lobato ou apenas Monteiro Lobato agora é de domínio público. Quantas interpretações e releituras terão suas obras a partir de agora. Imagino Narizinhos e Pedrinhos de vários estilos por aí. Sem contar na Emília que na pior das hipóteses pode ser transformada em uma nova Anabelle. Acredito num romance e até casamento entre a boneca de pano e o boneco de sabugo de milho e claro realizado pelo Tio Barnabé.

Zé Carneiro, Marques de Rabicó, Quindim, entre outros personagens que povoam o imaginário coletivo estão agora livres para novas descobertas. Não que eu não goste de suas verdadeiras histórias, e olha que eu adoro suas histórias. Vivi com a primeira versão do Sítio e ainda hoje em minha memória estão todos eles, capítulos inteiros ainda passam em minha mente e algumas histórias ainda estão muito vivas aqui.

Guardei para esse momento um dos personagens mais sinistros e tenebrosos do mundo de Lobato, é ela mesma, a Cuca! “Cuidado com a Cuca! Ela vai te pegar!”. Quantas vezes eu morri de medo ao ouvir esse grito estrondoso na TV. Sua voz irritante e aguda me assustava e fazia acreditar que ela era muito má. Lembro-me quando ela lançou uma poção mágica sobre Narizinho e a fez dormir para sempre. Só que o Príncipe das Águas Claras, apaixonado por Narizinho foi a seu encontro e a salvou. A torcida sempre foi grande para um final feliz entre os dois.

Agora todas essas histórias e muitas mais estão livres para interpretações e adaptações sem custo algum de direitos autorais. Para se entender um pouco mais sobre direitos autorais, de acordo com a legislação autoral brasileira (Lei 9.610/98), a regra geral para que as obras caiam em domínio público é de 70 anos após a morte do seu autor. Este tempo começa a ser contado em 1º de janeiro do ano subsequente ao falecimento, obedecida à ordem sucessória da lei civil. Algumas das mais belas obras brasileiras já se encontram em domínio público. Val a pena dar uma conferida para saber quais. Para a nossa cultura é muito importante, pois elas têm a possibilidade de novas perspectivas. Novas performances e releituras, enfim, ela continuará viva.

Monteiro Lobato nos deixou um legado maravilhoso e que deve ser mantido vivo. É chegada a hora da releitura e adaptação de suas obras. Torço para ver seus personagens mais vivos que nunca para uma geração que não pode se perder como as últimas por não conhecer a pureza e a beleza da viva na sua infância. Deveria estar na constituição que toda criança deve na sua infância assistir ao Sítio do Pica pau Amarelo, seja a versão antiga ou a nova versão; eu prefiro a antiga, para conhecer a história e o folclore brasileiro, pois ali você tem várias passagens de nossa história e cultura. Viva Monteiro Lobato e o Sítio do Pica Pau Amarelo.

Por

alexandre.mauro@oestadorj.com.br

Jornalista e comentarista esportivo. Moro em Niterói há 22 anos. Fã de cultura e esportes. Ex-editor em jornais na cidade do Rio de Janeiro. Atualmente me dedico à interatividade cultural. Acredito na importância da divulgação por todos os meios da cultura nesse país.

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