Justice League

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Depois de muito tempo esperando um filme realmente bom com os heróis da DC, fui ao cinema ver “Justice League”, apenas pra constatar que esse dia ainda não chegou.

Apesar de vir com a “artilharia pesada”, ou seja, os principais heróis (Batman, Wonder Woman, Superman, Flash, Aquaman e Cyborg), o filme peca em roteiro, ritmo de montagem e, acima de tudo, ao tentar fugir do principal problema das histórias da DC levadas ao cinema, acaba piorando a situação.

Explico.

Uma das grandes críticas (minhas, provavelmente) em relação aos filmes com os personagens DC é que – ao contrário da maioria dos da Marvel (vamos esquecer X-men aqui, ok?) – eles não conseguem realmente usar a seu favor o aspecto cômico de toda e qualquer história que envolve uma ou mais pessoas com super poderes e trajes engraçados andando por aí. Em “Justive League”, eles até tentam, mas quanto mais o fazem, menos natural fica e o resultado é uma leve “vergonha alheia” e zero risadas na sala de cinema. Pelo menos, na que eu estava.

Além disso, a narrativa tenta (muito mal) situar melhor o público em relação aos três personagens que não tiveram filmes próprios: Aquaman, Flash e Cyborg.

Há a clara iniciativa de mudar a velha imagem que temos em relação ao Aquaman. Quer dizer, o cara dos desenhos, “com uma roupa laranja e que fala com os golfinhos”. Pra tanto, colocaram Jason Momoa (o Khal Drogo de Game of Thrones). Sim, a imagem dos desenhos ficou, definitivamente, para trás. No entanto, o personagem em si, continua sem “textura”. O filme ensaia apresentar um pouco mais sobre o herói, mas não passa muito disso.

Quanto ao Flash e ao Cyborg, pouca coisa é dita e, parte-se da premissa que todos leram os quadrinhos e sabemos exatamente o que aconteceu com os dois. O que é um erro grave. Óbvio que, quando se trata de filmes desse gênero, a experiência acaba sendo mais rica para quem leu as HQ’s. No entanto, bato sempre na tecla de que filmes como este são adaptações e não extensões das páginas do desenho ou do livro.

Por exemplo, acho pouco provável que todas as pessoas que foram ver “O Senhor dos Anéis” tenham, ao menos, aberto um volume dos livros escritos por Tolkien. No entanto, a narrativa estava lá. Por vezes, adaptada, mas compreensível para “leigos”.

Mas, voltando ao filme em questão, é a velha história: “Quer ir ao cinema e assistir algo pra relaxar?” Se a resposta for sim, vá sem medo, sem expectativa, mas com muita pipoca.

Por

Carol Kzan é pós-graduada em Animação e Modelagem 3D e atua, há alguns anos, no mercado audiovisual, como editora e videografista. Pra desanuviar, ilustra, come pipoca, toca violão e, ocasionalmente, vê o mesmo filme várias vezes.

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