Joachim Löw e seus comandados expõem falhas e limitações do time brasileiro

Derrota acachapante e Klose batendo recorde transformaram a partida em História, expondo o retrocesso técnico da equipe comandada por Scolari

O sonho do Hexa, sempre, nada foi além disso: um sonho. Desde o primeiro jogo, o Brasil sofreu para vencer seus adversários que, em teoria, eram mais fracos. Em campo não se mostraram tão mais fracos assim. Pelo contrário, quem se mostrou mais medíocre do que se julgava foi o próprio time brasileiro. Cercado de instabilidade psicológica, arrogância, prepotência e, principalmente, deficiência técnica, o Brasil sofreu sua mais amarga e humilhante derrota em sua história, sendo eliminado na fase semifinal em seu próprio território.

A torcida que compareceu ao Mineirão no fatídico dia 08 de julho presenciou uma aula de futebol, tanto em dedicação quanto em tática e técnica. Joachim Löw convocou os melhores jogadores de que dispunha, ao invés de levar “homens de confiança”. Preparou o time e mudou o esquema quando o que havia feito não se mostrou o mais eficaz, como por exemplo, mudando Lahm para lateral, onde rende mais.

Klose (ao fundo), Khedira e Kross, melhor da partida, deixaram o seu. Fonte: Marca.

Klose (ao fundo), Khedira e Kross, melhor da partida, deixaram o seu. Fonte: Marca.

Uma derrota para o time alemão não seria uma catástrofe, pelo contrário, era até esperada, visto o que as duas equipes apresentavam. Mesmo quando a Alemanha sofreu, se mostrou consistente e jogou de maneira sólida. Em contrapartida, o time comandado por Felipão se mostrava instável e sofria demasiadamente, partindo para o “tudo ou nada” em muitos momentos das partidas, e todos os jogos em que venceu, o que prevaleceu foi o talento individual de algum jogador, e não o coletivo. Porém, os 7 a 1 (marcados por Müller, Klose, Kroos duas vezes, Khedira e Schurrle duas vezes também), aplicados pelos alemães (mesmo sendo exagerados) nada mais foram do que mais um choque de realidade para o futebol brasileiro (só lembrando as duas goleadas sofridas recentemente pelo Santos ante o Barcelona).

O comentarista Mauro Cezar Pereira, da ESPN, abordou de modo certeiro o despreparo técnico da equipe. “O maior problema jamais foi emocional, e sim técnico e tático. Isso só não era evidente para quem não queria ver ou preferia proteger o treinador. Como se fossse possível fazê-lo. O time frágil, sem estrutura, sem padrão, sem nada! Vivendo da falsa glória denominada Copa das Confederações, que o Brasil também ganhou antes das Copas de 2006 e 2010, quando sequer chegou às semifinais”, destacou Mauro.

A equipe brasileira sofreu a pior derrota de um anfitrião de todos os mundiais, superando um 5 a 2 imposto pelo próprio Brasil, contra a Suécia, pela decisão de 1958. Além disso, jamais um time tomou 5 gols em um intervalo tão curto de tempo, 29 minutos, no meio do 1° período no Mineirão. Também foi o primeiro país-sede a não jogar no principal palco e estádio da final da Copa, no caso, o Maracanã, entre outras marcas negativas que a derrota proporcionou ao país.

O próprio treinador brasileiro, Luiz Felipe Scolari, assumiu a culpa na derrota. “Quem é responsável quando a equipe se apresenta? Quem é colocado como técnico? Quem é responsável pelas escolhas? Sou eu. O resultado pode ser dividido porque os jogadores querem, porque dividimos as responsabilidades. Mas as escolhas, a parte táctica, sou eu… o responsável sou eu”, disse Scolari.

Porém, mesmo tendo assumido a culpa, o treinador foi alvo de críticas tanto de comentaristas quanto de outras pessoas ligadas ao futebol. Wagner Ribeiro, empresário dos jogadores Neymar e Lucas, detonou o treinador pelas redes sociais. “6 quesitos para ser técnico da seleção brasileira. 1- Ir treinar seleção de Portugal e não ganhar nada. 2 – Ir para o Chelsea e ser mandado embora. 3 – Ir treinar o Uzbequistão. 4 –Voltar ao Brasil e pegar um time grande e rebaixá-lo para a segunda divisão. 5 – Pedir demissão 56 dias antes do final do campeonato para ‘escapar’ do rebaixamento. 6 – Ser velho babaca, arrogante, asqueroso, prepotente e ridículo”, postou.

Scolari foi eleito o principal responsável pela desastrosa campanha. Fonte: Estadão.

Scolari foi eleito o principal responsável pela desastrosa campanha. Fonte: Estadão.

Mauro Cezar, ainda lembrou do comportamento do treinador durante o torneio e, com base nisso, avaliou o resultado obtido. “Luiz Felipe Scolari disse antes do duelo com a Colômbia: ‘Gostou, gostou. Se não gostou, vai para o inferno’. Foi para onde ele mandou o hexa que, ao contrário do que sinaliza a frase no ônibus que leva os atletas, não está chegando. Sim, a Alemanha exorcizou o futebol brasileiro, cabe a cada um de nós fazer o possível para que eles jamais retornem. Felipão e sua trupe são os grandes vilões desta Copa. Que ele e Parreira não voltem”, condenou Mauro.

Aos prantos, o zagueiro e capitão brasileiro na partida, David Luiz falou sobre a partida logo após o apito final: “Só queria poder dar uma alegria ao meu país, infelizmente não conseguimos. Peço desculpa a todos os brasileiros, só queria ver todos a sorrir. Eles [Alemanha] foram melhores, estavam preparados e fizeram melhor jogo. No início, perdemo-nos um pouco ali, eles viram que a gente estava assim e conseguiram marcar. Na minha vida, aprendi a ser homem em todos os momentos, nunca fugi de nada”.

O lado alemão: Klose bate recorde e a perplexidade com a facilidade no jogo

Se do lado brasileiro, sobraram lamentos, choros e falta de palavras, do lado vitorioso a noite não poderia ter sido melhor após uma verdadeira Blitzkrieg aplicada sobre o time brasileiro.

Klose se tornou o maior artilheiro das Copas com 16 gols, ultrapassando Ronaldo. Fonte: Bilt.

Klose se tornou o maior artilheiro das Copas com 16 gols, ultrapassando Ronaldo. Fonte: Bilt.

Dentre todos os jogadores alemães, quem mais deve ter comemorado foi Miroslav Klose. O atacante alemão de 36 anos marcou seu 16° gol em Copas e superou Ronaldo como maior goleador em Mundiais. Agora, quem ameaça seu recorde é seu compatriota, Thomas Müller, que com 24 anos já tem 11 gols. Após alcançar a impressionante marca, o jogador mostrou humildade ao falar sobre o feito alcançado: “Sou só um jogador alemão. Foi um feito importante, mas o principal é a vitória da Alemanha”. O gol foi fundamental para tranqüilizar a Alemanha e desmontar o Brasil ainda no primeiro tempo, assentando terreno para o massacre que viria a seguir.

Além da evidente alegria após assegurarem a vaga na final e o placar histórico, a perplexidade com o resultado final estava na feição dos jogadores alemães. O técnico Joachim Löw e seus atletas se mostraram surpresos com a facilidade com que golearam os brasileiros.

“Não conseguíamos acreditar que no primeiro tempo já estava 5 a 0. Foi um jogo excelente. Se alguém dissesse que ganharíamos de 7 a 1, nunca acreditaria”, disse o meia Toni Kroos, que marcou dois gols e foi eleito o melhor jogador da partida pela FIFA. Outro que se mostrou espantado foi o atacante Thomas Müller: “Nós mesmos não esperávamos uma partida dessas. A ficha ainda não caiu direito”, disse o camisa 13.

Joachim Löw deu uma aula de futebol ao Brasil. Fonte: Lance.

Joachim Löw deu uma aula de futebol ao Brasil. Fonte: Lance.

O técnico alemão se mostrou surpreso, conforme demonstrou na entrevista coletiva após o jogo. “Tínhamos um jogo bem claro e persistente, se tivéssemos coragem e soubéssemos da nossa força, ganharíamos. Mas que o resultado seria tão grande, não esperava”, disse Löw, que ainda falou sobre os quatro gols marcados em seis minutos: “Depois dos 2 a 0, percebemos que eles estavam perdidos, confusos, não conseguiram voltar. Ficamos calmos, aproveitando, percebemos que eles estavam em pane a aproveitamos”.

Löw ainda falou sobre a relação entre a derrota do Brasil e a campanha da Alemanha em 2006, quando disputou a Copa em seus domínios. “Consigo imaginar o que foi sentido, lembro de 2006, o nosso país deixou de chegar à final. Foi uma grande decepção. Essa derrota do Brasil será muito difícil para eles, para digerir”.

Certa vez, Carlos Alberto Parreira, membro da atual comissão técnica da Seleção Brasileira, chegou a dizer que no futebol, o gol é apenas um detalhe. Parece que os alemães discordam completamente disso. Talvez a eliminação vexatória seja a luz no fim do túnel para que nossos rumos sejam traçados no futebol brasileiro. O Futebol agradeceria.

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