Já ouvi falar em “espírito de porco”, mas em coração de porco é a primeira vez

Uma ligação bem especial entre homem e animal fará muita diferença para o futuro da humanidade

Um homem de 57 anos, nos Estados Unidos, recebeu, por meio de um transplante inédito, o coração de um porco. O caso, que foi divulgado esta semana, aconteceu na cidade de Maryland, no dia sete de janeiro, pode revolucionar o futuro da medicina para futuras gerações. Mas você deve estar se perguntando como isso foi possível e como ela pode salvar outras vidas? Há 37 anos houve uma tentativa com uma bebezinha, que tinha uma condição que a levaria à morte de forma imediata, mas o coração de porco, sem nenhuma modificação trouxe a ela uma forte rejeição, e após duas horas ela não resistiu.

Mas de lá para cá, muita coisa mudou.  A ciência atual, com a possibilidade de modificações e transferência de genes de um ser humano para o outro trouxe o sucesso para a cirurgia que deu a um homem a possibilidade de carregar no peito o coração de um babuíno. Foram desativados quatro genes, três são responsáveis por produzir os anticorpos que causam rejeição e um para evitar que o coração continue crescendo após o transplante. Eles também inseriram seis genes humanos para enganar o sistema imunológico e ele não rejeitar o transplante.

E por que a escolha do corpo? Por ser um animal fácil de criar, tem poucos questionamentos éticos, ele cresce rápido, em cerca de seis meses e pode ser utilizado para várias faixas etárias, é relativamente barato. 

Contribuindo para o futuro de forma significativa

Os primeiros testes foram feitos em animais. Mas em outubro houve um teste com uma paciente em morte cerebral em Nova York. O rim geneticamente modificado funcionou por dois dias e provou que a rejeição não aconteceria. Mas para que um paciente vivo pudesse passar pelo procedimento, seria necessário um candidato para quem a medicina não tivesse mais nada a oferecer. Ligado a uma máquina desde novembro, David Benett, não hesitou ao ouvir a proposta. Após oito horas e meia de cirurgia, o coração novo logo começou a bater. Logo após, os médicos o conectaram a uma máquina para dar um descanso e ter certeza de que ele bombearia sangue para o corpo. Mas após 48h, passado o perigo de rejeição grave, ele foi novamente reconectado ao corpo de David. Apesar de ainda correr risco de rejeição, a cirurgia se tornou uma esperança para o mundo.

Um fato sobre a vida de David causou controvérsia sobre o merecimento dele frente à cirurgia. No passado ele desferiu sete facadas em um homem, que ficou paraplégico; há poucos anos esse homem morreu ainda em consequência do ataque. Ele foi condenado e passou seis anos na cadeia. Mas não é permitido discriminar quem pode ou não ter tratamento médico, os médicos que fizeram a cirurgia, lembram que ele aceitou um tratamento revolucionário e com alto risco.

Somente no Brasil, 48 mil pessoas estão na fila esperando por um órgão para transplante. Se esta técnica der certo, pode evitar milhares de mortes de pessoas que não conseguem um órgão a tempo. Rins, córnea e coração e pele podem ser usados do porco. Cada estudo nesse sentido irá permitir mais e mais avanços e salvar mais e mais vidas.

Por

cristiane.lopes@oestadorj.com.br

* Jornalista e especialista em Gestão Cultural. Amante da cultura e das artes.

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