Inflação ou unidade monetária desvalorizada? (Segunda parte)

O "fantasma" da inflação pode surgir, mas apenas em 2021 caso a política econômica insista na utopia neoliberal

O mistifório entre valores altos e elevação de preços é um fator constante no raciocínio dos brasileiros comuns; todavia, a ciência que aborda as políticas econômicas não deve favorecer essa turbulência. Ignorar que o propósito da inflação é mensurar as oscilações que os diversos círculos do mercado apresentam — e não um carcinoma que destrói a economia de forma inexorável — é simplesmente uma tolice. Assim sendo, as providências retificadoras serão diferentes porque os fenômenos se configuram em núcleos particularmente opostos.

Se o que existe é um abscesso cambial incidindo violentamente nos custos dos produtos, ou seja, inflação, a resposta que a macroeconomia disponibiliza com frequência é o acréscimo das taxas de juros e a contenção na demanda. Na conjuntura do Brasil hodierno, tal atitude seria equiparada aos contos de terror — e desprovidos da imponência acrescentada pela estilística — ortografados por Howard Phillips Lovecraft. Vão terminar de pôr obstáculos que dificultem a aquisição em um local empenhado no aviltamento da própria unidade monetária? Que suplica pelo esfacelamento das indústria nacional e tem acoplado os deveres laborais à concentração de renda? Essa é a mesma cartilha que Paulo Guedes, sujeito tão criticado por suas farfalhadas neoliberais como emissário da Fazenda, almeja continuar exercendo com bastante rigor.

Agora, se o que insurge nas despesas é a onerosidade agravada por choques de oferta, os trâmites para a reedificação da ordem econômica se invertem devido às medidas que viabilizam uma oferta maior dos produtos em falta nos estabelecimentos de todo o país. É uma reação em cadeia, onde as instâncias do Poder Executivo financiam os lavradores em busca de otimizar os trabalhos rurais. Isso possibilita que o mercado interno receba uma variedade de artigos e também faculta a redução das alíquotas de processos comerciais (exportação e importação), bem como o reabastecimento das vitualhas mediante a regulação de estoques. Tal performance é a mais adequada perante as disfunções da contemporaneidade.

Mesmo que haja um afluente de razões que identifiquem a presença de choques de oferta no eixo do setor alimentício brasileiro, não se pode descartar que, segundo os relatórios divulgados pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) — e por uma miríade de órgãos científicos e da imprensa especializada —, tamanho óbice foi verificado mundo afora. A subsistência das pessoas mais carentes e legalmente incapazes amplificou a demanda por mantimentos em todos os continentes. Porém, as nações que realmente se interessaram em garantir a saúde dos cidadãos procuraram evitar que seus clientes batessem em retirada de seus perímetros mercantis através da limitação ou embargo nas vendas de itens primários, sobretudo os não perecíveis.

Os mais qualificados e experientes pesquisadores na supervisão de custos estimam que os preços das vitualhas seguirão em alta pelos meses que ainda restam neste ano de 2020. Nada obstante, um esmaecimento gradativo da tensão que vem perfurando o câmbio brasileiro também é avaliado e, logicamente, uma atenuação no valor dos mantimentos. Uma troca — repleta de sarcasmo e inépcia —do arroz por macarrão foi sugerida pelo dirigente da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), João Sanzovo Neto. Entretanto, o cereal básico das refeições nacionais detém uma influência cultural profundamente expressiva. Uma comutação desse naipe; de maneira ríspida, não se realiza com o deslocamento de alavancas e engrenagens.

Outra questão absolutamente relevante é a medrança das importações a fim de refrear as tarifas do mercado interno, que são transferidas aos artigos nacionais e, por consequência, é sintetizado em uma escalada de custos em geral. Algumas previsões da Advanced Financial Network Brasil (ADVFN) calculam que os preços nos supermercados talvez atinjam uma média que exceda os 5% neste último trimestre em sincronia com a retração de seu índice em aproximadamente dez vezes frente à projeção. Em contrapartida, os negócios de proeminência macroeconômica e a cobrança de tributos automáticos e optativos permanecerão hipoteticamente estagnados. Presume-se uma correção de até 0,7% nas tabelas referentes à prestação de serviços, enquanto que as conveniências primaciais — e culpadas pelos gastos exorbitantes —, tais como água; eletricidade; telecomunicações e combustíveis, encerrariam o período sem distorções em comparação à 2019.

Até o momento, a inflação corrente acumulada não tange o patamar de 2% em um intervalo de tolerância superior ou inferior a 1,5% sobre a meta prefixada em 4%. As cifras, que flutuam abaixo do esperado pelo Banco Central do Brasil (BCB), não ultrapassaram a faixa determinada como segura na perspectiva do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). No entanto, é um contrassenso atirar os riscos fabricados pela turgidez cambial no fundo de um baú. Apesar da dissimilitude hiperbólica que se observa na atualidade, faz uma gama de semestres que o Índice de Preços no Consumidor (IPC) destoa, por exemplo, do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA). Os institutos de contabilidade e estatística vislumbram o avanço do IPCA no tocante aos bens industriais em míseros 0,6% até o final de 2020. É diametralmente antagônico à multiplicação de 16% que o IPA descreve com a obtenção das manufaturas do agronegócio —eufemismo para “latifúndio”.

Essas bolhas são evidências latentes da preservação inflacionária sobre os custos traduzidos em desvalorização da moeda nacional em 2021. A ociosidade cristalina que pulveriza a atmosfera socioeconômica do Brasil — com um terrível destaque para a metade da população ativa sem empregos vinculados ao desenvolvimento macroeconômico — não permite que o mercado de consumo ratifique o encarecimento direto na produção; e isso também não significa que os custos se avolumaram integralmente. É óbvio que, em uma série de casos, o aumento foi nítido. Do contrário, as reservas dos produtores jamais teriam sido comprimidas e, por via de regra, não haveria motivo para suspender os repasses. Mas o ponto aqui é unicamente envolvido por juramentos de mudança que dissipariam as trevas. Os milagres ocorreram? Quem sabe na Terra plana do regime cloroquinista…

É necessário que as transações em âmbito nacional e estrangeiro possuam uma verticalidade que ampare a sociedade brasileira, mas não há nenhum resultado efetivo em praticamente vinte e dois meses de balbúrdia no Gabinete da Presidência da República. A responsabilidade se ausentou para que as maledicências infestassem a principal colônia do neoliberalismo na América do Sul, esfacelando os investimentos e prejudicando a nação.

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