Ibovespa fecha em queda de 2,34% e dólar encosta nos R$ 5

O BC tem capacidade de subir mais um pouco os juros caso seja necessário devido ao movimento global de elevação

O Ibovespa fechou em queda de 2,34%, aos 106.247,15 pontos, nesta quarta-feira (18), enquanto o dólar valorizou 0,78%, cotado a R$ 4,981. O principal índice da B3 seguiu o exterior com o mercado retomando uma forte aversão a riscos após os resultados de inflação elevada no Reino Unido e na zona do euro, alimentando temores de uma recessão global.

Enquanto a moeda norte-americana chegou a cair 0,45%, a R$ 4,920 (menor patamar intradia desde 4 de maio), ainda na primeira meia hora de negócios, mas a partir de então tomou fôlego. Na parte da tarde, acelerou a alta a R$ 5,001, valorização de 1,18%.

Os investidores ainda refletiram a posição do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, na véspera. Ele afirmou que a autarquia subirá os juros nos Estados Unidos o quanto for necessário para combater a inflação, mas sem sinalizar elevações superiores aos 0,5 ponto percentual já sugerido.

Os movimentos do dólar e do Ibovespa também são leves correções das variações na sessão anterior, marcada por uma redução da aversão global a riscos por parte dos investidores devido à perspectiva de relaxamento de restrições contra a Covid-19 na China nas próximas semanas, o que favoreceu uma busca por ativos considerados mais arriscados, caso dos mercados emergentes.

O diretor de política monetária do Banco Central, Bruno Serra, afirmou em evento que a autarquia espera estar chegando ao fim do atual ciclo de alta de juros, embora essa expectativa ainda dependa de dados. Ele destacou, entretanto, que o BC tem capacidade de subir mais um pouco os juros caso seja necessário devido ao movimento global de elevação.

Os investidores também estarão atentos à retomada do julgamento do processo de capitalização da Eletrobras pelo Tribunal de Contas da União (TCU). A expectativa é que o processo seja aprovado, permitindo a sua conclusão ainda neste ano.

Na terça-feira (17), o dólar teve queda de 2,14%, a R$ 4,942, no maior recuo percentual diário desde 24 de julho de 2021. Já o Ibovespa subiu 0,51%, aos 108.789,33 pontos.

Pessimismo global

O instigador mais recente da aversão global a riscos foi a alta de juros nos Estados Unidos, anunciada pelo Federal Reserve em 4 de maio. Apesar de descartar altas de 0,75 p.p. ou um risco de recessão, a autarquia sinalizou ao menos mais duas altas de 0,5 p.p.

Os juros maiores nos Estados Unidos atraem investimentos para a renda fixa do país devido a sua alta segurança, mas prejudica as bolsas ao redor do mundo, inclusive as norte-americanas.

Junto com uma série de elevações de juros pelo mundo, os lockdowns na China para tentar conter a Covid-19 aumentaram as projeções de uma forte desaceleração econômica, prejudicando os mercados.

O crescimento das exportações chinesas chegou a desacelerar a um dígito, nível mais fraco em quase dois anos, enquanto as importações mal mudaram em abril, ampliando as preocupações econômicas.

Entretanto, com a perspectiva de que essas restrições devem ser retiradas entre maio e junho, a expectativa é que a demanda chinesa retorne aos níveis anteriores, o que voltaria a favorecer exportadores de commodities e aliviaria uma parte das pressões sobre o real. Reuters

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