Hospital em Paraíba do Sul realiza cirurgias de grande porte sem transfusão de sangue

Desde a troca de gestão no Hospital Estadual Dona Lindu em 2017, já foram mais de 20 cirurgias de grande porte sem transfusão de sangue e sem maiores complicações

Em julho de 2020, um trabalhador de Seropédica sofreu um acidente de trabalho e teve rompimento de todos os tendões do joelho direito, levado
ao centro cirúrgico do Hospital Estadual de Traumatologia e Ortopedia Dona Lindu, no município de Paraíba do Sul, foi submetido a uma primeira cirurgia, que durou cinco horas. Uma semana depois, outra intervenção também com duração de cinco horas.


Em abril de 2019, uma paciente de Volta Redonda, no estado do Rio de Janeiro, também foi levada ao mesmo hospital. Aos 81 anos de idade, tinha um encurtamento de cinco centímetros na perna e sentia muitas dores. A paciente idosa seria submetida a uma cirurgia de grande porte para a troca parcial de uma prótese no quadril.

Por serem Testemunhas de Jeová, os dois pacientes optaram por não receber transfusão de sangue. O hospital Dona Lindu respeitou a decisão deles. Durante ambas as cirurgias, os médicos utilizaram uma máquina que aspira, filtra e devolve o sangue do paciente ao próprio paciente.

“A máquina é também uma segurança para o pós-operatório quando ainda há o risco de hemorragia”, afirmou o Dr. Vinícius Bonfante, que conduziu a cirurgia de joelho.

“O que foi feito hoje pela equipe do quadril do HTO Dona Lindu, graças à ação conjunta entre as Testemunhas de Jeová e a Associação Mahatma Gandhi, foi uma prova do quanto é importante o respeito ao próximo, respeito às suas crenças religiosas e como é incomparável fazer a diferença na vida de outra pessoa”, afirmou o cirurgião Luiz Carlos Zacaron Júnior.

Desde que assumiu a gestão do hospital, a nova administração vem demonstrando grande respeito pela decisão de pacientes que optam por tratamentos isentos de transfusão de sangue alogênico. O hospital fez alterações em seu termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE) para
incluir a opção expressa de recusa à transfusão de sangue. As alterações foram propostas por uma ação da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, cujos termos já estavam sendo atendidos pelo hospital antes mesmo do julgamento da ação.

Desde a troca de gestão no Dona Lindu em 2017, já foram mais de 20 cirurgias de grande porte sem transfusão de sangue e sem maiores complicações. A cooperação dos médicos e da direção do hospital tem tornado possível uma série de procedimentos cirúrgicos de grande
complexidade que ao mesmo tempo respeita a autonomia dos pacientes.

Num momento de pandemia, os procedimentos sem sangue têm sido úteis para outros cidadãos. A falta de doadores reduz drasticamente os estoques de sangue nos hemocentros. Pessoas que estão com Covid-19 ou apresentam febre, bem como problemas respiratórios, ficam impedidas de doar sangue por pelo menos 30 dias. Como resultado, várias cirurgias acabam sendo canceladas.

As técnicas sem sangue são uma sugestão da própria Organização Mundial de Saúde. Desde 2010, a OMS recomenda aos hospitais a implantação do programa Patient Blood Management (PBM). O objetivo do programa é gerenciar e conservar o sangue do próprio paciente, de modo que se tornem desnecessárias as transfusões que utilizam sangue de terceiros. Esse
gerenciamento inclui uma série de estratégias médicas clínicas e cirúrgicas, cujos três pilares são o tratamento da anemia e da baixa quantidade de plaquetas, a redução das perdas durante a cirurgia e a otimização da tolerância do paciente à anemia. Num momento em que o sangue está cada vez menos disponível para transfusões, os hospitais que aderiram ao programa

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