Homem vandaliza arte que homenageia mulheres negras, na baixada

O crime aconteceu a uma semana do Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha - 25 de julho

Um painel que retrata os rostos de nove personalidades representando mulheres negras e feministas foi vandalizado no último domingo (17), em Duque de Caxias, na baixada fluminense. Testemunhas contaram que um homem, ainda não identificado, pintou os rostos das personalidades com tinta branca e fugiu.   

Em nota, a assessoria de imprensa da Polícia Civil informou que a equipe da delegacia de Duque de Caxias (59ª DP) aguarda o comparecimento dos responsáveis pelo mural na unidade para formalização do registro de ocorrência e para apresentar mais informações que possam ajudar a identificar a autoria do fato. 

A arte nomeada como “Nossos Passos Vêm de Longe” proposto pela ONG Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial, foi produzida pelos artistas locais Rodrigo Mais Alto e Kleber Black para homenagear mulheres negras que narraram a história da baixada fluminense e o enfrentamento às violações sofridas na sociedade.

Entre os rostos retratados estão Rose Cipriano, Mãe Beata de Yemanjá, Silvia Mendonça, Ana Leone, Maria Conga, Dona Leonor, Nivia Raposo, Fátima Monteiro e Marielle Franco.  

Uma das mulheres homenageadas em vida, Sílvia de Mendonça, ativista pelos direitos humanos e representante do Movimento Negro Unificado (MNU) lamentou o ocorrido e ressaltou a importância do painel.  

“Esse painel retrata um desejo forte de que a nossa força e as nossas vozes sejam escutadas. Quando alguém vai e pinta nossos rostos de branco, não foi preto, amarelo, vermelho ou verde, está dizendo ali claramente que existe um potencial forte e vil do racismo estrutural.” 

A ativista também falou sobre o movimento e a luta pela igualdade.
  

“Estamos na luta, exercendo resistência no combate às desigualdades, para eliminar a pobreza, promover cidadania, acesso a bens e serviços, empoderamento na educação e acesso ao resgate cultural e artístico. Produzir ações afirmativas e atitudes positivas e reparação para o povo negro. É preciso que cada mulher negra, em especial, busque a unidade, consciência do seu legado e papel nesta sociedade, que interfira nas políticas públicas e possa exercer projeto de poder.”  

O crime aconteceu a uma semana do Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha – 25 de julho, data que relembra o marco internacional de luta e resistência da mulher negra e marca a necessidade do enfrentamento ao racismo e sexismo.

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