Giulia Moon e o perfume de vampira que conquista corações

Autora mistura a cultura brasileira e japonesa, criando novo tipo de história vampiresca

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Quem gosta de histórias vampirescas atualmente se divide entre as novas histórias e as clássicas, que seguem a linha do autor Bram Stoker, o criador de Drácula, o qual tem em 2012 seu centenário de morte, comemorado pelos fãs com alegria e a certeza da imortalidade de sua obra e talento, não com tristeza.

A ideia de divisão de tipos de vampiros, assim como o termo vampiro clássico, surgiu recentemente por conta dos fãs da criatura mais demoníaca, que renegam a humanização de tais seres, como acontece nas histórias escritas por autora como Anne Rice, das Crônicas Vampirescas, e Stephenie Meyer, da Saga Crepúsculo.

Assim como Stephenie Meyer, a autora Anne Rice causou muito “ti-ti-ti” quando lançou seu primeiro livro. Na época, década de 1970, contar uma história de vampiros lindos e humanizados como ‘Lestat’ e ‘Louis’, os quais tinham a pequena vampira ‘Cláudia’ como uma espécie de filha, causou muitas críticas e também garantiu a autora fãs apaixonados, que a defenderam com unhas e dentes, como assim fazem, hoje, os da autora da Saga Crepúsculo. Rice não teve menos críticas do que Meyer, pois até  chamada de “louca” quando buscava por uma editora para publicar o primeiro livro, ‘Entrevista com o Vampiro’, ela foi. Essa revelação partiu  da própria Anne Rice durante o bate-papo com os  fãs brasileiros na Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro de 2011.

Unindo culturas em histórias sobrenaturais

No entanto, parece que não são só as autoras vampirescas americanas que buscam inovar ao falar de vampiros. Fã declarada de Anne Rice, inclusive presente durante o bate-papo no Rio com a autora americana, a ilustradora e escritora Giulia Moon de São Paulo, resolveu contar uma história de vampiros diferente, misturando lendas ocidentais e orientais.Com descendência japonesa, Giulia Moon mostra em suas histórias sobrenaturais um pouco da ainda desconhecida cultura oriental, onde muita coisa difere do ocidente, inclusive as lendas, pois os orientais geralmente humanizam as ditas criaturas demoníacas.

Foi o toque de humanização abordado amplamente por Giulia Moon em sua série de livros Kaori, publicação da Giz Editorial, que tornou uma vampira japonesa, que morar nos tempos atuais entre as cidades brasileiras de São Paulo e Rio de Janeiro, tão interessante.A sempre sorridente Giulia Moon, falou um pouco sobre sua vampira Kaori, durante uma entrevista, após o lançamento carioca do primeiro livro solo da série, ‘Kaori e o Samurai Sem Braço’, que foi lançado durante a Bienal do Livro paulista 2012.

O livro solo, além de ter ilustrações da autora, conta uma história do passado da protagonista, quando ainda estava no Japão, durante um dos grandes terremotos ocorridos no país. A história não é continuação dos livros ‘Kaori – Perfume de Vampira’ e ‘Kaori 2 – Coração de Vampira’, mas a autora revelou que ocorre entre os acontecimentos presentes do livro um e dois.

Revelações de um universo infinito

Quanto ao termo kyuketsuki, muito usado ao se referir a Kaori, a autora explica que os japoneses geralmente usam o termo vampaia, uma espécie de adaptação do termo inglês vampire: “nos meus livros, os kyuketsukis são vampiros japoneses, que embora tenham características dos vampiros ocidentais, são tão estranhos quanto um japonês pode ser aos olhos ocidentais.”Giulia Moon comenta que “muitos deles são antigos, são japoneses da Era Tokugawa, pessoas que foram criadas e viveram num mundo muito diferente, de hábitos e moral completamente estranhos para os ocidentais.

“Quanto ao novo livro seguir o estilo das famosas light novel, estilo de publicação popular no Japão tanto quanto os mangás (quadrinhos japoneses), Giulia Moon revela que buscou algo diferente para ‘Kaori e o Samurai Sem Braço’, por ser uma história solo e não o Kaori 3.Sobre a protagonista, ela revela que trata-se de “uma menina japonesa de catorze anos bela e frágil, que cresceu na Era Tokugawa, no Japão do século XVII. Tem um delicioso perfume natural desde bebê, que atrai e fascina as pessoas ao seu redor, daí o seu nome, Kaori, que em japonês significa perfume ou fragrância“.

Diferente de muitas das protagonistas de histórias de vampiro, a Kaori de Giulia Moon revela que nada é preto e branco, tudo possui tons de cinza. “Por trás da beleza e suavidade de Kaori, existe uma mulher forte e inteligente, que vai enfrentar os seus inimigos com a coragem de um samurai e a paciência de um monge”, conclui.Uma das peculiaridades dos livros da autora é a mistura de criaturas de lendas das duas culturas. Começa com vampiros, mas logo revela seres dos mais variados, que vão desde a lenda do boto brasileiro da região amazônica; até a curiosa lenda japonesa de um bebedor de sangue, o kappa, que em alguns relatos também adora comer pepinos.

“Portanto, são parentes muito distantes do vampiro” comenta a autora divertida.Com um fandom cada vez maior, os eventos de lançamento, tanto em São Paulo como no Rio contaram com a presença de fãs caracterizados. Feliz com tanto carinho, Giulia Moon aproveitou para falar do convite para a Feira do Livro de Porto Alegre, que terminou no fim de semana passado.Ela participou do dia dedicado à literatura fantástica, com presença de vários autoras nacionais, elogiando o trabalho de apoio feito por Duda Falcão, Christopher Kastensmidt e Cesar Alcázar no Rio Grande do Sul.

De acordo com Giulia Moon, eles fazem um ótimo trabalho para unir autores de vários estados, o qual iniciou na 1ª Odisseia de Literatura Fantástica, que teve a presença de autores fantásticos de várias partes do Brasil, inclusive cariocas, em abril passado na capital gaúcha.

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