Frango e cerveja são produtos com maior aumento de procura para festas fim de ano

Os preços da carne devem voltar ao patamar tradicional quando a China suspender o embargo e normalizar o fluxo de importações da carne brasileira

Frango e cerveja: poderia ser uma combinação para o almoço do fim de semana ou para embalar um happy hour, mas esses são os produtos com maior crescimento de procura para as festas de fim de ano.

A busca pela ave aumentou 19%, enquanto a busca pela bebida cresceu 16% em relação com o ano passado, de acordo com números da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), em pesquisas para o Natal e o Réveillon.

Com o crescimento, esses são os produtos mais procurados em suas categorias para as ceias de fim de ano. O crescimento do frango foi seguido pelo do chester, que aumentou 11%.

Entre as bebidas, espumantes e frisantes apresentaram crescimento de procura de 14,15% e aparecem logo depois das cervejas.

A procura pelo vinho subiu 11,6%. Mas, com o momento econômico pautado pela alta do dólar, o consumidor tem evitado produtos importados para driblar o efeito câmbio. Assim, a busca pelo vinho nacional tem sido maior: 14%.

Os dados despertam atenção de Márcio Milan, vice-presidente institucional e administrativo da Abras, com relação ao comportamento do consumidor.

“Essas projeções se baseiam em um fim de ano totalmente diferente do ocorrido em 2020, quando ainda havia muitas restrições em vigor em diversas partes do país, com bares e restaurantes fechados, o que afeta mais o Réveillon, que costuma ser mais festejado fora de casa. Tivemos também celebrações familiares com menos pessoas, o que representou ceias de Natal menores”, afirma Milan.

Embargo chinês à carne brasileira

Nas duas últimas semanas, a Abras tem percebido um recuo no preço da carne bovina nos supermercados do país, que pode chegar a 10%. O fato é explicado pelo embargo sanitário imposto pela China à carne brasileira, por conta de dois casos de encefalopatia espongiforme bovina, mais conhecida como mal da vaca louca, identificados no país em setembro.

As autoridades sanitárias entendem que esses são casos atípicos e, durante a semana, conseguiram liberar uma carga de 100 mil toneladas de carne bovina congelada que já estava em território chinês e aguardava liberação do governo local.

O ocorrido, porém, acabou por destinar mais carne para o mercado interno. A intensidade do recuo de preços varia de acordo com a proximidade entre a produção e o consumo.

A queda chega a 10% em Cuiabá e a 9% em Campo Grande, capitais do Centro-Oeste, região onde há a maior produção pecuária do país. No entanto, em zonas mais adensadas distantes, como as regiões metropolitanas de São Paulo e Belo Horizonte, os recuos são, respectivamente, de 6,5% e 6,8%. Mas há também outra maneira de economizar com essas compras.

“Temos observado variações diversas de preços, principalmente em promoções. O preço do acém, carne de segunda, oscila entre R$ 19,90 e R$ 28,90. Quando você analisa as duas pontas, há uma diferença de 45% entre o menor e o maior preço. Na carne de primeira, a alcatra varia entre R$ 29,90 e R$ 34,90, uma diferença de 16%. O consumidor precisará pesquisar para aproveitar os melhores preços”, explica Milan.

Os preços devem voltar ao patamar tradicional quando a China suspender o embargo e normalizar o fluxo de importações da carne brasileira. Assim, quem quiser garantir os preços baixos deve se apressar.

De acordo com a Abras, o movimento ocorre em um momento no qual o país vem apresentando queda no consumo de carne, provocado pelo aumento de preços e pela perda de poder de compra.

“Essa queda ocorre há pouco mais de um ano e, naturalmente, os aspectos econômicos têm importância grande. A substituição da carne bovina tem ocorrido principalmente por ovos, suínos, aves e pelo pescado. Tudo isto por conta do bolso do consumidor, impactado pela redução do auxílio emergencial nesses últimos meses. É algo que vai permanecer por um tempo e, por isso, é importante que o auxílio permaneça”, conclui o vice-presidente da Abras.

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