FGV: guerra entre Ucrânia e Rússia ameaça criação de empregos no Brasil

O Brasil terminou 2021 com 12 milhões de pessoas desempregadas, de acordo com o IBGE. Percentualmente, a taxa de desocupação no país é de 11,1%

Como consequência das incertezas econômicas, somadas ao confronto entre Rússia e Ucrânia, o Brasil deve registrar uma estagnação no mercado de trabalho, com uma fraca recuperação do emprego em 2022.

E a deterioração dos indicadores pode ser intensificada, dependendo da duração da guerra no leste europeu.

Esse é o cenário econômico brasileiro prospectado por um levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e também por uma projeção da consultoria IDados, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O relatório do IDados destaca que a taxa de desemprego deve se manter estável durante todo o ano, com uma queda de 0,1 ponto percentual em relação ao observado em dezembro de 2021.

“A atividade econômica no país está sendo muito impactada pela alta da inflação, que por sua vez obrigou o governo federal a elevar as taxas de juros. Isso tudo atrapalha muito os empresários brasileiros, já que eles não podem pegar empréstimos com custo baixo, por exemplo, e fomentar a economia”, disse o pesquisador do IDados, Tiago Cabral.

“O resultado disso tudo é que os empresários deixam de contratar o número de funcionários que pretendiam”, explicou.

A projeção da consultoria sobre o Produto Interno Bruno (PIB) do Brasil, com base em dados do Boletim Focus do governo federal, também não é promissora.

O economista Tiago Cabral sinalizou que a produção de riquezas do país só deve crescer 0,3% em 2022.

“São vários canais de impacto da guerra no Brasil, de forma direta e indireta. As commodities não param de subir por causa dos conflitos, por exemplo. Consequentemente, o preço para o consumidor interno do país aumenta e isso gera um menor consumo, ou seja, uma retração econômica”, afirmou.

“Outro canal de prejuízo ao país é embargo ao petróleo russo, que já gera alta nos preços do insumo. Precisamos lembrar que grande parte da nossa economia depende dos modais rodoviários, que precisam de combustível”, finalizou o economista.

Já o Indicador Antecedente de Emprego da FGV, divulgado esta semana, aponta que a expectativa de contratação no Brasil recuou 1,4 ponto em fevereiro, mantendo a tendência de queda dos últimos quatro meses — impactada pela variante Ômicron da Covid-19.

Dessa forma, o índice apresenta o pior nível desde agosto de 2020, auge da primeira onda de contaminações pelo vírus.

Além disso, a expectativa de contratação dos empresários brasileiros pode cair ainda mais nos próximos meses, segundo o economista do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (FGV Ibre) Rodolpho Tobler.

O especialista ressalta que a guerra no leste europeu causa incertezas econômicas em todos os países.

“O indicador voltou a cair em fevereiro, seguindo a tendência negativa dos últimos meses. Os últimos resultados sugerem que a recuperação do mercado de trabalho deve ser mais lenta do que a ocorrida em 2021. O ambiente macroeconômico difícil e potenciais riscos de aumento da incerteza global não permitem vislumbrar uma mudança na trajetória do indicador no curto prazo”, declarou Tobler.

O economista também detalhou os setores econômicos brasileiros que mais serão afetados por conta da guerra na Ucrânia.

“O impacto será visto em diversos setores, como comércio e serviços. Mas a indústria, por dificuldades na obtenção de insumo, alta de preços impactados pela alta do combustível, pode ser o destaque negativo”, disse.

O Brasil terminou 2021 com 12 milhões de pessoas desempregadas, de acordo com o IBGE. Percentualmente, a taxa de desocupação no país é de 11,1%. CNN

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