Feliz Navidad

Venho percebendo ao longo dos anos que o clima natalino se perdeu. Uma pena, pois lembro-me de quando era criança e tinha cinco, seis anos, minha avó materna, Dona Célia, Ah! Que saudades! Se foi muito cedo, não tinha 60 anos. Antigamente a expectativa de vida era muito baixa. Uma pena. Sinto falta dela até hoje.

Bem, como estava dizendo, com meus seis anos, e ainda replica em minha memória, nossas ceias de natal, regadas a família reunida, peru e bacalhau e uma farta mesa. A expectativa dos presentes na noite em que acreditava-se que São Nicolau, nosso querido Papai Noel e seu trenó cheio de brinquedos viajava pelo mundo deixando brinquedos a quem deixava a lista nos correios. Quantas vezes tentei ludibriar minha saudosa mãe (e faz apenas 4 meses que me deixou) e minha Vó Célia (ela já faz muito tempo, mas nunca deixei de me lembrar) na tentativa de ficar acordado para ver os presentes. Nossa, como tentei, mas nunca consegui.

A festa continuava no dia seguinte. Assim que eu acordava e junto com meu irmão íamos direto para sala para ver o que Papai Noel havia deixado para nós. Sempre me surpreendia com algo a mais que ele deixava que não estava na lista. Mais tarde entendi que aquele era realmente o presente que minha mãe desejava nos dar. Era um momento único. Fui criado com base na religião católica e era costume minha vó assistir à Missa do Galo na madrugada do nascimento de Jesus Cristo. Pela manhã e, porque não dizer, durante toda a semana a TV passava filmes contando a história dos principais personagens bíblicos. Quantas vezes assisti à Vida de Cristo, Os Dez Mandamentos, Sansão e Dalila, Noé, Moisés, entre tantos outros que todos os anos era cartaz garantido na TV. E todos os anos eu via com a mesma emoção. Era uma época em que o sentimento natalino entrava nos lares brasileiros verdadeiramente e fazia a diferença.

Tive uma infância muito feliz e interessante. Morava em Bonsucesso, em frente ao Clube Bonsucesso e brincava na rua com os amigos. Violência? Não! Não existia. Se formos comparar com hoje em dia, realmente não se tinha. Andava de bicicleta (um dos presentes que falei lá em cima que vinha sem eu ter pedido e que depois percebi que minha mãe que presenteava) e tinha um grupo que todas as noites nas férias de verão percorriam todo o quarteirão. Quantas vezes passei em frente da Planalto (um restaurante que até hoje está lá) e olhava as pessoas sentadas nas mesas comendo suas pizzas e bebendo um chopp que era considerado o melhor da região. Eita que saudade até das coisas que não apreciei efetivamente. É o clima festivo tomando conta mais uma vez.

Outro dia vinha voltando de mais uma transmissão de um jogo de futebol da Rádio Saara, onde faço os comentários e falei com o motorista do aplicativo que me trouxe sobre isso e ele, aparentando uns 30 anos respondeu exatamente o que eu falei aqui. “Os tempos mudaram e as pessoas também. Sinto muito por tudo isso. Sinto falta de viver o clima de natal. Antigamente quando chegava início dezembro, era o início das férias escolares, a oportunidade de ver mais tempo os amigos e brincar. A medida que se aproximava o natal, a gente era tomado por uma sensação diferente que contagiava nossos corações e nos remetia ao amor e a felicidade. Apesar de eu achar essa festa um pouco triste e não era para ser, pois é o nascimento de Jesus que é comemorado. Mas não sei explicar por que sinto tristeza.

Mas ela passa com a proximidade do momento e da paz que sempre esteve presente nas reuniões de minha família na noite natalina. O que precisamos nessa data é fazermos uma análise e rever o que não fizemos que poderíamos ter feito que mudaria algo. É saber que um gesto nosso poderia ter feito a diferença. É perceber que podemos ajudar o próximo com um simples abraço, olhar, gestos simples que deixamos de lado no dia a dia dessa vida corrida. Quero poder esse ano rever tudo que fiz e que poderia ter feito e começar a mudar. Que o Bom Velhinho possa trazer muito amor e sapiência para todos nesse natal e que as pessoas possam absorver tudo que as mensagens de fé e amor transmitem principalmente nessa época.

Vivemos num mundo muito conturbado e com perspectivas destrutivas. Se voltarmos nossos pensamento para Deus e emanar um mantra de amor, fé e otimismo, acredito que teremos mais uma chance. A vida nos foi dada e cabe a nós fazê-la valer a pena. “Amai-vos uns aos outros” – esse é o mantra que devemos recomeçar a emanar mundo afora. Que na noite de natal possamos agradecer por mais um ano aqui e acreditar que dias melhores virão. Criar metas e objetivos para um 2020 muito melhor. Espero que todos nós possamos estar aqui ano que vem juntos e lutando por uma vida mais digna e feliz. Afinal, todos nós somos ou não somos filhos de Deus?

Feliz Natal! Merii Kurisumasu! Merry Chistmas! Frohe Weihnachten! Joyeux Noël!

Por

Jornalista e comentarista esportivo. Moro em Niterói há 22 anos. Fã de cultura e esportes. Ex-editor em jornais na cidade do Rio de Janeiro. Atualmente me dedico à interatividade cultural. Acredito na importância da divulgação por todos os meios da cultura nesse país.

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