Feliz Natal, mas a guerra não acabou

Liguei a TV ontem esperando assistir a alguns filmes bíblicos. Saudades dos meus seis, sete anos, onde assistia a grandes clássicos e a família exalava o espírito da data

Sinto falta dos filmes que passavam na época do natal antigamente. Lembro-me bem que nas semanas que antecediam o natal, além do clima natalino ser mais harmonioso e verdadeiro, tínhamos os filmes bíblicos. Eu pequeno ainda e interessado em conhecer aquelas histórias contadas de forma lúdica e com mensagens que ficaram fixas em minha memória. Nunca li a Bíblia Sagrada, mas conheço algumas passagens graças a esses filmes, que a sessão da tarde nos brindava com tamanho empenho e interesse.

O que mudou? Será o que mundo não reconhece mais a história de Jesus? O que restou de dois mil anos foram apenas a poesia? Ou as alegorias que fomentam nos dias de hoje, o comércio e os lucros que a data traz para quem instituiu a famosa “liberdade poética” para a data? Talvez sim. Não quero vir aqui e acabar com o comércio natalino, não, longe de mim. Quero apenas dar a importância devida aos acessórios que nos dias de hoje são mais relevantes que o próprio simbolismo da data. Natal é uma palavra que significa nascimento. O nascimento de Jesus, nosso irmão maior. Filho de Deus, que veio à Terra para carregar todos os nossos pecados e nos libertar.

Por um mundo melhor

O problema é que esqueceram de dizer que o ser humano já não tinha mais como visualizar a tal liberdade, pois já havia caído no pecado e estava muito feliz com ele. Claro que não eram todos os seres humanos que abrigavam em seus corações a maldade, a inveja, o ódio e a tudo que representa o lado obscuro da humanidade. A verdade é que Jesus não sofreu em vão. Não. Apesar de o mal até os dias de hoje se achar vencedor e soberano em nosso planeta, ele padece ao primeiro ato de amor ao próximo e a compaixão, misericórdia e perseverança de um povo que mesmo na adversidade, ainda acredita na raça humana.

Esse povo está espalhado por várias religiões e até longe delas. Esse povo recebeu o Espírito Santo ainda em gestação e alguns depois de grandes e velhos ou mesmo após tanto sofrimento vivendo das mazelas que entendia ser o princípio da lucidez. Sim, esse povo existe e está crescendo. pessoas ao redor do mundo, em vários países e de várias nacionalidades ainda compreende o verdadeiro amor. Existem pessoas que ainda se importam com o outro, que torcem pelo outro. Existe amor puro e verdadeiro entre os homens. Difícil acreditar, mas sim, existe.

Mas e os filmes? Que fim levaram e por quê? Bem, essas perguntas vou ficar devendo, pois tenho algumas possibilidades. Mas talvez a que mais caia como luva seja a de que o mundo mudou. Mudou a mentalidade. Mudou a forma de amar, mudou tudo. Mudaram os interesses, e mudou até a fé. Tenho um amigo que costuma dizer o seguinte: “Cuidado com a fé, pois fé demais, não cheira bem”. Acho que ele está certo. Precisamos de tudo na medida certa. Nem mais, nem menos, apenas o essencial. Mas como podemos chegar à conclusão do que é essencial? Boa pergunta.

Essencial é entender sua razão de estar aqui, buscar fazer o máximo de coisas boas. Procurar a excelência na caridade e no amor ao próximo. Saber exatamente como ajudar e na hora de ajudar, mesmo que a ajuda não seja econômica. Afeto, respeito, empatia, amor. Não sei quantas vezes usei nesse texto a palavra “Amor”, mas ainda que tenha sido muitas, ainda são poucas diante do que Jesus fez por nós. Então, que tal nesse Natal começarmos a dar valor a coisas mais importantes para nós e cultivar o verdadeiro significado da palavra “Nascimento”, pois é dela que temos nossa referência de amor? Andamos badalando mais a cobertura que o recheio. Está na hora de voltarmos a valorizar o pão e o vinho. E que tal um peixe para a noite mais importante do ano?

Feliz Navidad! Feliz Natal! Merry Christmas! Joyeux Noël! Feliz Natal!

Por

alexandre.mauro@oestadorj.com.br

Jornalista e comentarista esportivo. Moro em Niterói há 22 anos. Fã de cultura e esportes. Ex-editor em jornais na cidade do Rio de Janeiro. Atualmente me dedico à interatividade cultural. Acredito na importância da divulgação por todos os meios da cultura nesse país.

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