Eu ainda acredito!

Dia intenso, muito trabalho. Tempo para beliscar algo, para uma refeição mais elaborada e no final do dia ainda cabe um chocolate quente com uns biscoitinhos

Estou fazendo dieta! Momento de esperança e expectativa entre amigos e parentes. Isso porque já venho com esse projeto faz uns 6 anos. Começo bem, levando à lona vários quilos que espero nunca mais vê-los de novo. As primeiras semanas são um elixir de felicidade. Nelas posso sentir mais disposição, energia, me lembrei do Paulo Cintura agora – Saúde é o que interessa! O resto não tem pressa!”. Mas estou cheio de pressa! O tempo joga contra e todo minuto é uma tentativa de me ver naquele corpo de vinte, com cabeça de 28 e na hora do corpo, eis o grande problema, corpo de 80.

É a fase em que tudo fica mais pesado de se carregar, e olha que pensava que as rugas não pesavam. O que acontece é que juntos com elas, vêm dores nas juntas, isso para quem é sedentário, alguém olhou para mim? Pois me encontro numa espécie de redoma protecionista, mas isso não me culpem, é culpa da pandemia. Havia prometido para mim em 2019, que em 2020, eu iria mudar meu estilo de vida. Iria começar uma dieta e que academia estava nos planos, apesar de eu ser um adepto do “academia vicia, por isso não piso na porta”, eu estava propenso a abrir minha mente e coração para que o projeto de emagrecer tivesse êxito.

“A Múmia”, de 1999, Imhotep, personagem vivido pelo ator sul-africano, Arnold Vosloo, assustou o mundo com as sete pragas do Egito

Só que veio a pandemia e com ela o “fique em casa, a economia a gente vê depois”, e eu mais uma vez me vi em maus lençóis, pois justamente no momento em que estava disposto a mudar de vida, sou obrigado a ficar em casa. Mas obedeci e não sai para lugar nenhum. Trabalhei de home office e só saía na portaria do meu condomínio para buscar comida e remédios, e como fiz uso. A medida que o tempo passava e nada se tinha de novo e a frase “fique em casa”, que mais soava em minha mente como aquela no filme Múmia, de 1999, “Inhotep! Inhotep! Inhotep…” , e achei que estava prestes a reviver as sete pragas do Egito, mas ainda não descartei totalmente. Em casa, sem poder sair, se divertir, viajar, o que sobra? Isso mesmo, comer e ver TV.

E foi nessa onda que esqueci totalmente do que havia planejado ao longo de 2019. Sei que fui fraco, leviano, boicotei minha dieta, mas atire a primeira pedra quem não o fez? O fato é que estamos em 2022, no meio do ano e eu me pergunto: o que eu fiz nessa pandemia? E a resposta vem de imediato: não pensei em dieta. Comi tudo que podia e o que não podia, pois as taxas sobem e não sabemos explicar o porquê. São tantas perguntas miúdas que se viessem de uma vez, talvez ajudassem na digestão, mas não, todo dia era dia de uma variável que invariavelmente elevavam os quilos que eu jurava não querer conquistar.

Sei que hoje, encontro-me em uma dieta a base de esperança. Isso me faz bem, pois espero conseguir loevar adiante esse projeto que eu denominei: “Medida certa do Xandão”, isso mesmo, uma cópia “sem vergonha” do quadro do Fantástico, da Rede Globo, que levou Zeca Camargo a um dos episódios, na tentativa de emagrecer. No final, ele não conseguiu manter o peso por muito tempo, e estou indo pelo mesmo caminho. O que eu aprendi com isso? Bem, muita coisa. Primeiro que não se deve copiar algo que deu errado, pois o insucesso pode bater à sua porta também. Depois não é só isso, o tempo perdido e a insana fé de que tudo vai dar certo e que eu iria perder um peso que daria para criar outra “pessoinha”, é a mais pura ilusão. Entre idas e vindas, na média cheguei a perder de 8 a 10 quilos. Hoje me vejo com 8 quilos a menos da última tentativa de emagrecer na pandemia.

Definitivamente ficar isolado não te faz um sabático. Acreditei que mudaria muita coisa nesse período, mas o que consegui mesmo foi descobrir que sou praticamente imutável. Mas me refiro ao corpo, porque na lama ou espirito, sou um ser em pura mutação ou elevação. Procuro aproveitar as oportunidades que a vida me dá, é verdade também que, muitas delas passam e eu nem percebo. Estou em intensa briga comigo mesmo para ser menos distraído e mais ligado. Acho que consigo, pois sempre que desejei muito atingir metas e objetos, passei perto em algumas e acertei o alvo em outras. Não vou deixar que a gula ou a ansiedade de comer para adquirir super poderes de resolver os problemas vença a minha vontade de me “retornar” uma pessoa que venceu os quilos indesejáveis. E nesse momento, lanço aqui minha hastag: #voceconseguexandao

Por

alexandre.mauro@oestadorj.com.br

Jornalista e comentarista esportivo. Moro em Niterói há 22 anos. Fã de cultura e esportes. Ex-editor em jornais na cidade do Rio de Janeiro. Atualmente me dedico à interatividade cultural. Acredito na importância da divulgação por todos os meios da cultura nesse país.

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