Estamos preparados para vacinar nossas crianças?

Vacinação contra covid-19 em crianças pelo mundo divide opiniões

O inicio da vacinação em crianças de cinco a 12 anos nos Estados Unidos reacendeu algumas chamas que estão no ar, desde que se cogitou a possibilidade de vacinação em crianças.  Apesar de não ser o primeiro país a vacinar crianças, uma vez que o processo já acontece em Cuba, Chile, China e Emirados Árabes Unidos, é um dos mais expressivos países a proporcionar vacina para crianças no mundo. Apesar de apresentar uma quantidade menor de mortes pela covid, os números são bem expressivos. Desde o inicio da pandemia, foram cerca de 2400 mortes nessa faixa etária. Apesar de proporcionalmente menos atingida, e uma menor tendência de apresentar casos graves, são atingidos sim.  

Segundo dados do InfoGripe da Fiocruz, até o dia 6 de novembro, o que nós temos é uma média de 1200 a 1500 casos de síndrome respiratória aguda em menores de 9 anos, e a taxa de letalidade da doença nas crianças é muito inferior que dos idosos, ou pacientes com alguma comorbidade. Daí a necessidade de refletirmos sobre a importância da imunização não apenas de nossas crianças, mas de todos. 

No Brasil, apesar de não dispormos ainda da vacinação para crianças menores de 12 anos, não podemos menosprezar os números. A proporção em crianças é menor em comparação a outros grupos, mas ainda ocorrem mortes. Muitas pessoas se reusam a tomar a vacina, a se protegerem e ainda protegerem os outros com seu gesto. Mas no âmbito da imunização infantil, estão indo além. Diretores da Anvisa receberam emails contendo ameaças aos servidores e seus familiares, caso seja feita a liberação da vacinação infantil. Tudo bem não querer se vacinar, o que considero uma posição perigosa, mas daí a ameaçar alguém por querer proteger um maior grupo de pessoas, é muito estapafúrdio.   

Acredito que devido ao bom histórico vacinal do Brasileiro, ameaças não irão atrapalhar o andamento de liberações de vacinas para nossas crianças. As vacinas no Brasil sempre foram capazes de erradicar grandes doenças. Não será agora em um cenário tão desafiador que a minoria terá a capacidade de alterar esse cenário de forma negativa.

Por

cristiane.lopes@oestadorj.com.br

* Jornalista e especialista em Gestão Cultural. Amante da cultura e das artes.

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