Entrevista exclusiva com Wanderlândia Melo ganhadora do prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante da 1ª edição do Fic Rio

O curta-metragem alagoano ‘‘A Barca’’ (2019), de Nilton Resende, vem recebendo importantes críticas no meio cinematográfico nacional e internacional e já conquistou, ao todo, 30 prêmios, nacionalmente e internacionalmente

No último sábado (31), a atriz Wanderlândia Melo, conquistou o prêmio de ‘Melhor Atriz Coadjuvante’, na 1ª edição do Festival Internacional de Curtas do Rio de Janeiro (FIC RIO), no Rio de Janeiro. Vale lembrar que ela também é ganhadora de mais três prêmios pela atuação no curta-metragem, respectivamente, ‘Melhor Atriz’, na 8º Mostra de Cinema de Iguatu, e ‘Melhor Atriz Coadjuvante’, no Festival de Cinema de Muriaé e no Rima – Rio de Janeiro Internacional Monthly Awards.

 

Imagem de divulgação

 

A atriz e palhaça, formada em Teatro pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), me concedeu, na semana passada, uma agradável entrevista. Na breve, Wanderlândia contou um pouco sobre a emoção de ter ganhado o prêmio e comentou sobre sua participação no curta-metragem. Confira a entrevista:

Quem é Wanderlândia Melo?

Foto: Benita Rodrigues

A que adora ouvir e contar histórias. A que ama aprender, a que adora compartilhar também, fazer graça, desafiar a vida, desafiar os entraves que são colocados no caminho de uma mulher nordestina. A que toma café, cerveja e chá na mesma proporção. A que anda com pandeiro na bolsa esperando uma oportunidade pra abrir uma roda de coco.

Sempre quis ser atriz?

Nem pensava. (Risos). Desde de pequena eu gostava de fazer a família rir. Imitava meu avô, colocando seu chapéu, curvando as costas e fazendo a família rir daquele que era temido pela sua autoridade. Quando criança queria ser veterinária e depois cantora. É isso, com vocês uma atriz que não se imagina sendo atriz. Mas reflito sobre o imaginário que a tv e o cinema cria e que nós crianças negras não nos vemos e não temos referências, não tem como se imaginar em um espaço onde não se tem representatividade. Enfim. 

Quando se viu atriz?

A partir do momento que levei minha avó Edileuza pra assinar meu primeiro curso.

Conta pra gente a sua primeira experiência.

Se levarmos em consideração que a festa junina com suas quadrilhas e toda a encenação que acontece e narra a festa com os personagens do casamento matutu, desde os 3 anos de idade. Se for a partir do momento que subi no palco para atuar foi em 2011 com o curso de iniciação ao teatro que teve um espetáculo de finalização. Achei incrível o desafio de fazer algo que as pessoas prestam a atenção, e você tá ali vivendo e contando uma história que não é sua, mas, que às vezes também é.

Muitos atores tem uma linguagem de criação muito específica. Você, Wanderlândia, tem alguma que você use para criar?

Foto cedida por Wanderlândia ao Cada Minuto

Eu uso do trabalho energético e da palhaçaria para entender o jogo de cena que é proposto. Analisar a cena, o texto, esvaziar, imaginar em outros contextos de outras formas o mesmo conteúdo. Em linhas gerais, o trabalho energético e a palhaçaria são a minha base.

Quais são os processos, os elementos, as sensações e os sentimentos no geral que você sempre procura provocar quando está em cena?

A presença! Eu imagino que mais que “contar uma mentira”, estar em cena é acreditar na mentira que você está contando. A sensação que eu busco em cena é de não enganar quem está me vendo, é ser e cumprir o papel. Essa é a meta.

Quais são suas principais referências no cinema e no teatro?
No cinema e no teatro, eu referencio a Grace Passô, atriz, diretora, roteirista, dramaturga e tantas coisas! Ela em cena tem uma potência inacreditável.

Como se sentiu ao receber a notícia?

Eu estava vendo a live com um amigo e fomos vendo as premiações de todas as categorias e quando chegou a de Melhor Atriz Coadjuvante, eu já estava felizona em poder me ver na vinheta. Quando eles falaram meu nome o grito foi igual de gol do Brasil em copa do mundo (risos). Fiquei feliz demais! Feliz pela premiação, pela visibilidade do cinema alagoano na

Ilustração: Weber Salles Bagetti.

mostra.

 O que a vitória representa para você?

Reconhecimento do trabalho de atriz, reconhecimento do trabalho do Nilton Resende como preparador de elenco e diretor do filme. Representa que não é dom o que move a profissionalização dos artistas da cena, é estudo, técnica, é trabalho.

Está esperançosa em receber outras indicações?

O filme ‘‘A Barca’’ tem circulado bastante, espero que sejamos reconhecidos sim por essa produção que é linda, que é potente demais!!!.

Diga algumas palavras, sinta-se à vontade

Wanderlândia Melo: Eu queria agradecer ao Tenório por esse contato, pois populariza as conquistas que o audiovisual vem ganhando nacionalmente. Esse prêmio é de todes que fizeram ‘‘A Barca’’, que tem uma equipe incrível! E que o filme está disponível no Porta Curtas: https://www.portacurtas.org.br/planos/gpdecinema2021

 

Por

vanderlei.tenorio@oestadorj.com.br

Jornalista, comentarista de cinema, correspondente no Brasil para alguns veículos portugueses e bacharelando em Geografia pela Universidade Federal de Alagoas.

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