Entre Deus, a vida e o Coach – O recomeço é certo

Hoje é um daqueles dias em que você olha as notícias e pensa em algo diferente para escrever e nada lhe vem à cabeça. Será porque as notícias são sempre as mesmas? Ou será que a máxima de que o novo sempre vem é falsa? Ou o novo já nos chega velho? Enfim, o fato é que comecei a digitar essas linhas e não consegui pensar em nada capaz de prender a sua atenção. Será que o problema sou eu? Será que a escassez, palavra da moda para muitos “coaches” chegou e agora me deixou sem assunto? Vou ligar meu sinal de alerta.

Acho que vou ligar para o meu amigo Juarez Botelho, afinal, ele sempre me salva com suas histórias interessantes. Pensando bem, ele já deve estar de saco cheio de minhas ligações nas madrugadas para extrair algo novo e mostrar para vocês. Já sei, vou escrever sobre a estreia da nova novela da Rede Record, “Genesis”. Eu sou um noveleiro e também gosto de analisar os roteiros e as histórias. Sou na verdade um questionador. Eu assisti aos três primeiros capítulos que trazem à tela desde o surgimento do universo, passando por Adão e Eva, o grande Dilúvio, a Torre de Babel, a Jornada de Abraão, chegando até o período da escravidão do Povo Hebreu no Egito. Ufa! Tem muita coisa para rolar em aproximadamente 150 capítulos.

Adão e Eva na novela das 21h. Deus perdoará mais essa licença poética?

Confesso que o primeiro capítulo foi de uma delicadeza e fotografia impressionantes. Só que quando começaram os diálogos eu comecei a me questionar sobre o texto e comunicação entre os principais personagens da trama, Adão e Eva vividos pelos atores Carlo Porto e Juliana Boller. Naquela época eles já denominavam de gravidez o resultado do intercurso sexual com a finalidade única de procriar. Outra coisa que me deixou impressionado foi que após Eva comer do fruto proibido e Adão também dar uma mordiscada na fruta, os dois passaram a viver com o pecado original e talvez por isso foram os primeiros humanos a sentirem os prazeres da carne e, como que por instintos, descobriram que sexo combina com beijo na boca. Pois já no primeiro capítulo, os dois se lançaram ao amor e a luxúria. Quem os ensinou que a boca servia além de falar e mastigar os alimentos, também para se beijar? E beijos quentes!

Todo mundo sabe que a liberdade poética está aí para fazer da literatura algo mais salutar e interessante, mas o exagero pode soar como caricato e irresponsável para quem se alimenta dela. Portanto, achei desnecessário certas cenas que na minha opinião não condizem com o que de fato aconteceu. Mas não é de hoje que a emissora do Bispo deixou de lado a história da Bíblia e a romantizou. Mas ver a Eva olhando com um olhar sedutor para Adão e vê-lo comentando ela que está com vontade de fazer sexo foi no mínimo surreal. Não entrarei em outras questões, pois o que me chamou a atenção foi o texto utilizado nos primeiros capítulos que mais parecia com o roteiro de A Lagoa Azul, brilhantemente interpretado por Brook Shields nos anos 80.

Respeito todas as religiões, pois tenho a minha e acredito em Deus como criador dos céus e da terra. Sei que para muitas pessoas a Bíblia passou por muitas traduções ao longo dos dois mil anos. Só que existem coisas que se tornam difíceis de acreditar diante da evolução humana. E o romance nos primórdios da nossa civilização está além do que posso admitir. Por isso vou continuar assistindo e ver em quantos mais equívocos a história entrará. Quando eu estava assistindo a um repórter da emissora e vi a chamada para o folhetim, eu fiquei muito interessado em assistir, pois até hoje nenhuma outra emissora teve a coragem de retratar um tema tão fascinante e especial como esse. Quero deixar registrado a bela interpretação dos atores envolvidos nessa primeira etapa da novela.

Vou ficando por aqui e percebendo que a tal escassez de assuntos ainda não me pegou. Faltava apenas um start para que as palavras fluíssem e o texto se organizasse. Acho que consegui. Missão cumprida. Para quem ainda não assistiu à novela da Record “Genesis”, ela vai ao ar todos os dias a partir das 21h. Vou continuar assistindo, pois como disse, sou um fã de teledramaturgia. E mesmo aquelas que falham em alguma coisa, elas têm sempre algo para nos sensibilizar.

Por

alexandre.mauro@oestadorj.com.br

Jornalista e comentarista esportivo. Moro em Niterói há 22 anos. Fã de cultura e esportes. Ex-editor em jornais na cidade do Rio de Janeiro. Atualmente me dedico à interatividade cultural. Acredito na importância da divulgação por todos os meios da cultura nesse país.

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