Ela veio com a luz que sempre foi

Jamais pretendi utilizar o espaço que tenho neste jornal para fazer declarações românticas. Não é pela temática que decidi expor aqui ou porque me faltava uma namorada, mas sim pelo fato de que nunca possuí talento suficiente para realizar algo tão protuberante. Minhas narrativas, a propósito, inclinam-se à ótica de segunda ou terceira pessoa, e dificilmente não busco derrubar a famosa “quarta parede”. Diferente do sentimentalismo, a causticidade espontânea é um traço idiossincrático que preservo desde a infância. Todavia, essa ocasião dispensa o uso de palavras beligerantes.

É lógico que não almejo converter este boletim semanal em uma circular de rapsódias irredutíveis, mas não posso deixar de escrever sobre a mulher que me resgatou do frio e extinguiu a insônia que tanto me perseguia devido a uma série de calamidades que enfrentei nos últimos tempos. Reitero que não sou hábil com isso, porém é tudo o que sinto — e merece uma imortalização fidedigna.

Seu nome é Amanda. Ela detém uma personalidade similar à calidez dos raios de sol que iluminam o firmamento após uma violenta tempestade. Acho incrível como a sua ternura me fez guardar a espada e baixar o escudo a fim de observar seu campo de rosas. Não obstante, amplificou meu entusiasmo renitente para que eu permaneça lutando contra as injustiças e adversidades de forma inexorável. Se estou fugindo das proposições básicas desta gazeta, friso que ninguém me encoraja tanto a redigir textos do que minha futura esposa. Até a questão pecuniária torna-se um fator quaternário diante da valorização afetiva. Não há preço que defina a felicidade motivada pelo amor, dado que isso vem sendo a principal razão dos meus escritos, não importando o conteúdo.

Amanda é uma moça gentil e encantadora, totalmente simpática e atenciosa para comigo. Todo esse cuidado faz com que uma gratitude completamente intuitiva surja por ela nas camadas mais profundas de minha alma, trespassando inúmeras falésias e pairando na superfície dos meus olhos. E o que pronunciar a respeito de sua beleza? Como detalhar uma estrutura facial tão encantadora que remete à ontologia? Eu mesmo só consigo descrevê-la como uma mulher de singularidade capaz de reduzir qualquer gramática à obsolescência, pois nenhum elogio é o bastante para representar uma fração de sua venustidade.

E o que foi o início de toda essa plenitude? Quando foi que as engrenagens do espaço-tempo começaram a se movimentar para recompor o nosso destino? Parece impossível obter uma resposta efetiva para isso agora; de dentro da linearidade circadiana…

Mas tenho certeza que, em épocas remotas, nossos sentimentos foram transformados em cinzas unicamente para estabelecer uma conexão inabalável entre nós.

Agora eu sinto que nossas vidas terão, juntas, a chance de experimentar um futuro muito bonito.

Quero pegar em suas mãos e sobrepujar o vento e a gravidade, enquanto nossas vozes ressoam, carregadas de emoções lídimas, sob os céus azulados.

Dia após dia, eu vou reconstruir o horizonte para te encontrar — mesmo que seja preciso dividir o universo inteiro para isso!

E nos momentos sinuosos ou resplandecentes, independente do lugar…
Saiba que estarei lá por você…

Calculando o infinito.

Por

Jornalista literário no segmento metapolítico e sociocultural. Pesquisador de assuntos históricos, filosóficos e aspectos econômicos do Brasil e da Ásia Oriental. Colaborador de periódicos geopolíticos e podcasts. Tradutor, locutor e dublador ocasional.

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