Educação ou Morte

Educação não pode ser tratada com artificialidade. Ignorância sobre a realidade específica aumenta a exploração social

Na data de ontem, 15 de outubro, comemorou-se o Dia Nacional do Professor. Uma farândola de políticos, almejando o êxito no sufrágio diferido para o mês seguinte, não hesitaram em utilizar o evento de maneira espúria a fim de incrementar o arrivismo que circunda a propaganda eleitoral de suas candidaturas.

Muitos ratificaram as previsões já esperadas com a abordagem plástica que fizeram sobre os renques educação: prometeram melhores salários aos docentes e profissionais em geral; infraestrutura plena em todos os níveis didáticos e científicos; novas metodologias de ensino e modernização completa do setor.

É difícil acreditar que existem cidadãos alheios a esse discurso, pois o mesmo reverbera há décadas e termina sofrendo com a negligência invariável de todos os governos. Tais promessas, absolutamente necessárias de serem cumpridas, porém vazias e deliberadamente afastadas da realidade brasileira por conta da atenção superficial que é dispensada ao problema, apenas ilustram que o Brasil jamais se tornará uma nação autêntica — algo infinitamente mais lógico do que pertencer ao grupelho do famigerado “Primeiro Mundo” nos púlpitos de megaconferências estrangeiras — se continuar praguejando as tentativas de reformas educacionais fidedignas. Tamanha aversão irracional é o que encoraja o Palácio do Planalto a desviar recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB) no intuito de preparar uma tática de reeleição em 2022, subtraindo os investimentos que devem ser maciços em qualquer país dedicado ao combate das mazelas sociais.

O que precisa ser acentuado é o fato de que os plutocratas alojados no Brasil desde épocas remotas não possuem o menor interesse em fornecer instrução de qualidade ao povo, dado que tal atitude inspira o refinamento do ser humano através de princípios éticos. Isso é diametralmente oposto à sanha das elites, que mantém a população imersa no obscurantismo porque assim é extremamente fácil de dominar as pessoas e submetê-las ao jugo da oligarquia. Eis um indicativo que corrobora a afirmação: faz aproximadamente meio século que os governantes instalados nos Três Poderes da República, seja na esfera municipal; estadual ou federal, vêm enganando a sociedade com a endrômina de que o controle da inflação é a panaceia que irá solucionar os males que consternam o país. É dessa forma que promovem uma terrível lavagem cerebral, afetando principalmente o estrato que representa o quinhão inferior da pirâmide socioeconômica, uma vez que também são os menos evoluídos intelectualmente. Para tanto, eles sempre receberam apoio praticamente incondicional dos maiores veículos de comunicação que integram a grande mídia, sobretudo pelo intermédio das propagandas alucinógenas consoantes às técnicas insidiosas da mercadologia. Toda essa aparelhagem funciona como uma espécie de barreira que protege o lado vil das turbulências incidentes na política econômica brasileira em detrimento da educação e de outros pilares isonômicos. Consequências de teorias fajutas advindas do olavismo; terraplanismo; fundamentalismo neopentecostal e demais rizomas do neoliberalismo.

Essa multitude de barbaridades trazem lembranças desprezíveis ao presente. Uma delas é o pronunciamento que Jair Bolsonaro, atual inquilino do Palácio da Alvorada, fez em abril de 2019 durante a cerimônia que empossou Abraham Weintraub — perdulário fracalhão que zarpou para a América Boreal devido ao medo de enfrentar os litígios criminais que provocou — como ministro da Educação: “queremos uma juventude que não se importe com questões políticas”. Já não é segredo que o trigésimo oitavo Presidente da República Federativa do Brasil é um sujeito abominavelmente estulto e de péssima índole. Logo, esse despautério aberrante é um nítido reflexo de sua falta de conhecimentos acerca do tema em somatória com um mau-caratismo pútrido e selvagem.

A frase ornejada por Jair Bolsonaro é o típico posicionamento obtuso que, além de induzir e solidificar o pensamento errôneo a respeito do termo “política” — muitos sustentam a crença de que este vocábulo é um sinônimo banal de “eleições” —, tonifica o devaneio de que o imperialismo é um elemento subjetivo; contudo, indispensável no processo de expansão do sistema onzenário pelo mundo. Alegam que essa fraude produz “uma série de maravilhas”. Deveriam especificar tal asserção, haja vista que os brasileiros permanecem reféns da miséria.

Segundo a própria Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), a preponderância do imperialismo nas relações econômicas medra as desigualdades entre os países do Hemisfério Norte e os situados abaixo da Linha do Equador. A hegemonia degrada, inclusive, a correspondência harmônica em território nacional. Estes são os resultados do “conservadorismo educacional” — que não tem coisa alguma para defender — impregnado pelo desespero anexo às localidades subdesenvolvidas junto com um materialismo pecuniário que fabrica competidores e dissemina a abstração de que os estudos, caso não disponibilizem altíssimos cargos em quesito de proventos e hierarquia, são totalmente inúteis.

Em seu último seminário publicado pela Biblioteca Virtual da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), o economista e professor de ciências políticas da Universidade Estadual Paulista (UNESP), Marcos Del Roio, disse que os contrastes se multiplicam com a liberalização dos intercâmbios em todo o planeta, aduzindo que a erupção das injustiças em diferentes sociedades colocaria em dúvida os tais benefícios do imperialismo. Sem esgotar o assunto, Del Roio faz referências à ameaça de extinção da classe média, criticando o giro da roda financeira internacional no momento em que se assiste ao escoamento e empobrecimento dessa camada social cuja participação direta na vida cultural e política da sociedade oferta condições basilares de uma verdadeira estabilidade democrática.

Na ordem das circunstâncias nupérrimas, é crucial que tais informações alcancem as parcelas mais baixas da sociedade brasileira, tristemente composta por analfabetos (funcionais ou plenos); desempregados; explorados; marginalizados; humilhados e outros. Somente a educação é quem dispõe de capacidade para reverter esse quadro que acarreta também na perda de autodeterminação; soberania e desnacionalização de uma miríade de setores.

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Jornalista literário no segmento metapolítico e sociocultural. Pesquisador de assuntos históricos, filosóficos e aspectos econômicos do Brasil e da Ásia Oriental. Colaborador de periódicos geopolíticos e podcasts. Tradutor, locutor e dublador ocasional.

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