Ecos do Carnaval

Após atravessar um dos períodos mais conturbados das últimas décadas, o ciclo de carnaval 2019 do Rio de Janeiro se encerra de forma positiva, mesmo nesta conjuntura de crise.

Para se ter uma ideia, a subvenção para as escolas de samba e blocos foi liberada somente na sexta-feira, primeiro dia dos desfiles. Muitas agremiações não conseguiram receber, já que o expediente bancário se encerra às 16 horas.

Entretanto, dada as circunstâncias, todas as escolas conseguiram desfilar e demonstraram a força do samba. Blocos carnavalescos também arrastaram multidões e driblaram com energia e empolgação todas as dificuldades impostas. A festa mais uma vez atraiu milhares de turistas para a cidade.

O sucesso do Carnaval deste ano foi coroado com o desfile da Mangueira, na madrugada de terça-feira. Até então a verde e rosa não constava entre as favoritas nos prognósticos pré-carnavalescos.

Mas aqui neste espaço, já apontávamos o samba enredo “Histórias para ninar gente grande” como um dos melhores da safra e verdadeiramente ele aconteceu na avenida e impulsionou o desfile campeão. Um samba daqueles que promete ir além do Carnaval e permanecer na história desse gênero musical.

O resultado do desfile do grupo especial não apresentou disparidades e refletiu o que realmente passou pela pista do sambódromo. As seis classificadas, que voltam a se apresentar neste sábado das campeãs – Mangueira, Viradouro, Vila Isabel, Portela, Salgueiro e Mocidade Independente – obtiveram colocação coerente, de acordo com a opinião do público em geral e da crítica especializada.

Fato importante a registrar é que a Liesa – Liga Independente das Escolas de Samba – parece ter aprendido a lição dos dois anos anteriores. Mesmo com o rebaixamento da Imperatriz Leopoldinense, penúltima colocada e uma das maiores vencedoras dos desfiles, não se cogita uma nova virada de mesa. Pelo contrário, tão logo surgiram boatos sobre essa possibilidade, seus dirigentes vieram a público desmentir e descartar qualquer intenção disso.

Talvez o único fato um tanto incompreensível do resultado foi a caneta pesada dos jurados com a São Clemente, que tirou a 12* colocação. A escola de Botafogo fez a sua melhor apresentação da década, voltando aos seus bons tempos de enredo crítico com “E o samba sambou”. Parece não contar com a simpatia do júri e se salvou por pouco de uma injustiça maior, que seria o rebaixamento.

Outro registro importante foi o fraco desfile da Beija Flor, que terminou em 11* lugar, o pior resultado de sua história no grupo especial. A escola de Nilópolis parece ter sentido a saída de seu diretor de carnaval, Laila. Precisa se reinventar.

Enfim, o Carnaval ainda ecoa pela cidade. Neste final de semana, além do desfile das campeãs na Sapucaí, tem desfile do grupo E, na Avenida Intendente Magalhães. No domingo, os últimos blocos ainda saem no Centro e na Zona Sul, encerrando este ciclo carnavalesco.

Por

Jornalista, pesquisador de samba e compositor.

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