E o samba sambou no ano novo

A passagem de ano é sempre de alegria e esperança renovada. Mas a chegada de 2019 não traz nada de novo ao mundo do samba no Rio de Janeiro. Pelo contrário, os velhos problemas permanecem e as coisas parecem piorar até pelo lado de onde não se espera.

A última novidade é que a TV Globo não irá produzir este ano as vinhetas de Carnaval, que eram inserções na programação que a emissora fazia. Uma forma de aquecer este período pré-folia e de ambientar o público para a festa.

Estas vinhetas eram importantes, porque ajudavam a impulsionar as vendas de ingressos para os desfiles e a divulgação dos sambas-enredos das escolas. Numa época de má vontade do poder público, fuga de patrocinadores e desinteresse das pessoas, este é mais um golpe no Carnaval carioca.

Além disso, em pleno mês de janeiro, a Liesa – Liga Independente das Escolas de Samba – ainda não definiu a realização dos ensaios técnicos no sambódromo. Vale lembrar que seria o segundo ano consecutivo em que estes ensaios não aconteceriam.

Entretanto, surge uma luz no fim do túnel, pois há informações de que a Liesa conseguiu, via lei Rouanet, uma parte da verba para bancar esses ensaios. Resta saber se isso será suficiente para cobrir todos os custos, que, segundo a entidade, ficam em R$ 3,5 milhões.

Por enquanto, as escolas de samba de todos os grupos ainda aguardam a assinatura do contrato com a prefeitura, que não definiu data para isto. As dificuldades são imensas, pricipalmente para as agremiações do grupo de acesso. Há uma indefinição geral.

As grandes do grupo especial se viram como podem, pois algumas contam com outras receitas, como shows e a renda da bilheteria e bar com ensaios e eventos nas quadras.

Enfim, com a chegada do novo ano, as férias e o verão quente de praias lotadas de turistas, tradicionalmente a cidade começa a respirar o clima carnavalesco. Os blocos começam a intensificar suas programações e agitar as ruas, com ensaios e rodas de samba. Como a prefeitura não tem mostrado disposição em ajudar, que pelo menos não atrapalhe e nem estrague esse clima.

Por

Jornalista, pesquisador de samba e compositor.

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