É na madrugada que a inspiração aparece

A madrugada foi feita para relaxar, refletir, amar e trabalhar. Eu sou um adepto do trabalho noturno como parte de elevação espiritual e mental

Quem trabalha à noite tem a oportunidade de pensar mais e avaliar sua vida. A famosa frase “enquanto descanso, carrego pedra.”

Meu primeiro emprego foi na antiga Curt (Laboratório fotográfico). Meu horário era das 16h às 02h. Foi aí que comecei a perceber o quão importante é a noite para todos nós. Ao contrário dos que pensam que a noite foi feita para dormir, eu acredito que nossa mente trabalha melhor a noite ou pelo menos de uma boa parte da população mundial.

Há algumas décadas percebemos que o trabalho noturno ganha força e mais empresas expandem seus negócios para mais um turno. É verdade que um fator vital para esse modelo é sem dúvida o aumento da população mundial e a necessidade de atender a todos. O tempo ficou curto e não conseguimos dar conta de tudo nas 15 horas que temos normalmente ativas. Isso, me baseio nas pessoas que acordam às 7 horas da manhã e por volta das 21 horas estão voltando para casa. Não levei em consideração os que estudam depois do trabalho e só chegam em casa por volta das 23 horas.

O fato é que o tempo ficou muito curto para muita gente e parece que o organismo se adaptou a essa nova forma de viver. Sei que ainda existem pessoas que cumprem a cartilha de acordar cedo e deitar cedo e manter suas oito horas de sono. para essas pessoas, o corpo agradece e a saúde vai bem, obrigado. Agora, àqueles que fizeram a opção de seguir o rebanho tecnológico e da globalização, a vida mudou e muito. Temos pessoas que dormem muito pouco (eu posso me colocar nesse grupo) e ainda assim, conseguem levar a vida de forma equilibrada. Não estou aqui para falar em termos médicos, pois não sou um, mas sei também que a longo prazo podemos sofrer algum problema por essa escolha de vida.

Trabalhar à noite tem seus truques como um belo café como companhia

Mas não posso negar que a madrugada me traz as melhores matérias, os melhores textos, a maior sensibilidade para fazer a programação musical na qual eu sou responsável de uma rádio. Enfim, eu até agora tenho aproveitado a madrugada para tirar de mim o melhor. O silencio da noite carrega nossa mente de leveza e prepara os melhores pensamentos, ao mesmo tempo que, nos ajuda a limpa-la das mazelas do dia. É onde fazemos a análise do que foi bom e do que precisamos melhorar pro dia seguinte. A autocritica natural. A mea culpa sensorial. Costumo levar para madrugada tudo aquilo que tive dificuldade de resolver durante o dia, pois é lá que encontro mecanismos que provavelmente me guiarão a uma resposta ou ação no dia seguinte.

Como disse, gosto da noite para trabalhar. Me considero um ser noturno. E ainda assim, quando não estou trabalhando, meu corpo não reconhece a hora de dormir e vou eu assistir à TV. Tenho amigos que acham que sou louco por trocar noites de sono por bons filmes na TV, mas posso dizer que não faço simplesmente porque quero e sim porque meu corpo já está programado dessa forma. Sei que mais tarde ele pode reclamar, e sinceramente, espero que não, mas hoje não há nada que eu possa fazer. Foi como disse, meus melhores trabalhos saíram da madrugada. Adoro escrever com o fone de ouvidos curtindo uma boa música. Às vezes a própria canção me ajuda a finalizar um trabalho. Me sinto um privilegiado por poder trabalhar assim.

Para muitos a noite traz melancolia e tristeza, para mim, é uma espécie de carregadora de energia. Como diz o ditado: “Nada como um dia após o outro, com uma noite no meio”. É isso. A noite dos justos. A noite da limpeza e da expressividade. A noite da contemplação. A noite do amor, dos casais apaixonados que podem viver intensamente sem culpas e sem medos, pois ao amanhecer, um novo dia surgirá e estarão prontos para novos desafios. Enquanto isso, alguém está tentando fazer do amanhã um novo dia com mais leveza e amor. Um novo amanhã com esperança de que sua madrugada não foi em vão.

Por

Jornalista e comentarista esportivo. Moro em Niterói há 22 anos. Fã de cultura e esportes. Ex-editor em jornais na cidade do Rio de Janeiro. Atualmente me dedico à interatividade cultural. Acredito na importância da divulgação por todos os meios da cultura nesse país.

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