É fato: urubu não tem pelo, muito menos no pé

Mas voam como poucos e ainda fazem o que quase ninguém vê. Ou faz

É engraçado como nos embevecemos quando uma ave vem voar perto da gente, quando um bichinho fofo chega e nos rodeia. Lindo e acalentador. E quando essa ave enorme é um urubu? Temos medo, nojo? Coitados, eles são os animais mais ecologicamente corretos de todos.

Qual ave, em sã consciência, iria comer carne morta e podre, senão eles? Urubus, abutres, condores. Todos eles comem carne putrefata. No entanto, todos têm um voo lindo e elegante. Acho que não damos o devido crédito para essa criatura, tão feia, tão nojenta, mas é ela que limpa a sujeira que fazemos, sem deixar vestígio nenhum. Só sobram os ossos limpos. Quem é o nojento, afinal?

O urubu tem um voo magistral, elegante e lindo, porém quem o vê no céu só consegue pensar que tem alguma coisa morta ali perto. Uma professora de zoologia do Amazonas explica que, na verdade, eles se aproveitam dos bolsões de ar criados pelo movimento das nuvens de chuva para gastar menos energia voando e, assim, observar a área ao redor.

Esses bolsões de ar quente que estão subindo servem para que eles possam observar as áreas onde estão. Até porque eles também têm que se abrigar na hora da chuva. “Eles têm uma boa visão e aproveitam esse momento para olhar ao redor com mais tranquilidade”, diz.

Esse cabelinho nunca me enganou…

Muito se engana quem diz que urubus não têm grupo ou não se comportam socialmente. Quando um cara desses, por exemplo, acha uma carniça boa, daquelas de lamber os beiços (porque eles não têm olfato), o grupo o segue e todos comem a mesma nhaca. E, para quem também não sabe, é verdade que urubu não come carne humana. Mesmo sendo um bando de oportunistas, eles sabem que a nossa carcaça faz mal. Quem diria, até urubu tem gosto refinado. Ou a gente demora muito para ficar al dente. Ou al bico.

Eu tenho visto muitos urubus por aqui, voando lindamente pelo céu. Fui pesquisar sobre seus voos e soube que os urubus avisam quando a chuva vai chegar. Claro, onde os podemos ver. Em cidades caóticas, os urubus que vemos não avisam nada. Só roubam na surdina. Muito e inescrupulosamente, nossos bolsos vão ficando vazios. Mas essa é uma outra longa história ainda sem fim. E sem pelos.

Por

paula.toom@oestadorj.com.br

Jornalista, tradutora, revisora e redatora. Tem 3 cachorros, 3 gatos fixos e mais um monte ao seu redor. Cuida para que eles não sejam abandonados pelas sarjetas. É editora-chefe das colunas que você lê aqui.

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