E a próxima fraude no Brasil já tem um nome: Privatização dos Correios

Governo neoliberal de Jair Bolsonaro almeja seu enésimo ataque contra o país ao dilacerar a ECT e doá-la às facções transnacionais

Faz algumas semanas que o coordenador da Secretaria Especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados — estratagema fabricado pela quadrilha neoliberal alojada no Ministério da Economia para derruir a soberania do país —, Diogo Mac Cord de Faria, vem bradando que o diagrama de privatização da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) está finalizado e disposto a ser implementado. Nada obstante aos paralogismos constantemente forjados pelo Governo Federal, esse diacrítico é uma verdade extremamente infeliz.

No último dia 14, o chefe do Ministério das Comunicações, Fábio Faria, encaminhou oficialmente ao Gabinete da Presidência da República o Projeto de Lei (PL) relativo à desestatização do órgão. O plano será analisado pela Casa Civil e, posteriormente, remetido ao Congresso Nacional. Floriano Peixoto Vieira Neto, atual dirigente máximo da ECT, já asseverou que o destino da empresa é ser privatizada. Os demais lesas-pátrias, imbuídos em um nevoeiro de estultícias e fantasiados de governantes, louvam a animosidade que corrói mais uma entidade formulada para atender os povo.

Esse desejo alucinado que a gestão de Jair Bolsonaro manifesta para validar o extermínio do patrimônio nacional é somente outra evidência de que a horda neoconservadora instalada em Brasília não possui a menor preocupação com o desenvolvimento do Brasil. A farândola de manirrotos anseia pelo desmonte da ECT porque almejam transformar a instituição em um novo harém dos especuladores que parasitam a economia brasileira através da espoliação financeira. A proposta sorrelfa decreta a ruptura do monopólio estatal no tocante às correspondências em todos os níveis. Tal atitude, mesclada à precarização que se avoluma há décadas no setor público, é a justificativa ideal para que as opugnações contra os trabalhadores pertencentes à ECT se ampliem de modo brutal.

Com aproximadamente 110 mil colaboradores e 357 anos de história, a ECT é a única companhia de entregas postais que adentra os confins do território brasileiro. Essas localidades, ainda muito remotas em pleno Século XXI, terminarão envoltas por um desprezo absoluto, uma vez que as transportadoras privadas jamais estenderam seus negócios a esses povoados que não ofertam lucros e, ironicamente, contratam a ECT para desempenhar as tarefas nessas regiões. Se tal afirmação parece um exagero, basta observar a turbulência que incide perpetuamente na órbita telefônica e dos transportes coletivos em qualquer ponto do Brasil. Uma calamidade vítrea.

Os funcionários da ECT são uma referência laboral em objeção à plutocracia enraizada no Brasil, realizando greves notórias desde a fragilização iniciada pelo neoliberalismo no mandato presidencial de Fernando Collor de Mello. Assim como o Estado brasileiro se encontra manietado ao corporativismo rentista, uma de suas células principais também acabará servindo aos interesses dissolutos do renque patronal, simbolizado por figuras políticas indecentes que agem em detrimento da justiça social e que favorecem os piores conluios. A perversão é o que impulsiona com regularidade os dispositivos que movem essa aparelhagem.

É indiscutivelmente burlesco verificar que a tempestade de corrupção efetuada diretamente por essa corja é divulgada como um subterfúgio que possibilita a alienação das propriedades brasileiras. Segundo esses pústulas, não existe ilicitude nos organismos privados. Todavia, o que a Operação Lava-Jato — outro instrumento de quinta-coluna —mais revelou foi precisamente o contrário: a aliciação é um produto imanente às camadas do vértice da pirâmide responsável pelo cisalhamento do país. É um item sobressalente feito para certificar que os asseclas das oligarquias justapostos nos Três Poderes endossem as requisições que beneficiam as elites. Se a remunerações salariais hiperbólicas são os pilares deste convênio, as negociatas equivalem a uma gratificação por metas concluídas ou um adiantamento, como nos esquemas de compra de votos tão externados no presente —mas que sempre lastrearam a politicagem do Brasil.

Para concretizar esse desfalque rotulado como privatização de uma maneira que satisfaça os onzenários transnacionais, o Poder Executivo Federal contratou uma turma de assessores mercantis — e sem nenhum conhecimento de administração pública — no intuito de tecer propagandas capazes de manipular a sociedade em busca de dizimar a ECT. Os formatos cogitados para repassar seus ativos incluem a venda de títulos que permitem o controle majoritário da organização, ou então via pactos concessórios, similares aos das rodovias de diversas instâncias. Aliás, as tarifas estratosféricas dos pedágios servem como espelho do que irá ocorrer com os serviços postais caso essa fraude seja perpetrada. Também é importante ressaltar que uma enorme quantia proveniente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem sido utilizada para custear os honorários destes pleófagos que abominam a nação brasileira.

Essa cultura privatista, uma toxina derivada do egoísmo, aprofunda as mazelas socioeconômicas ao usurpar os bens públicos enquanto conserva os impostos em patamares elevadíssimos. Mediante sua lógica asquerosa, os direitos constitucionais da população necessitam ser erradicados e substituídos por transações megafaturadas para os concentradores de renda. Isto posto, fica nítido que é impossível refrear o morbo da depredação aquiescendo com a pulverização do Estado nacional. Quem defende tamanho contrassenso não se importa com o Brasil.

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Jornalista literário no segmento metapolítico e sociocultural. Pesquisador de assuntos históricos, filosóficos e aspectos econômicos do Brasil e da Ásia Oriental. Colaborador de periódicos geopolíticos e podcasts. Tradutor, locutor e dublador ocasional.

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