É a chuva chovendo é o vento ventando…

O verão está acabando e que ele leve tudo de ruim que a estação nos trouxe. Que "As águas de março" que fecham o ciclo levem para bem longe a tristeza e deixem apenas o amor

O verão está chegando ao fim e com ele uma esperança de vida em cada coração. Um ciclo se acaba e com ele tudo que não deu certo ou simplesmente acabou. A vida recomeça e com ela, a certeza de que, ficamos mais velhos e com menos tempo para acertar. Será que é verdade? Será que chegamos a um ponto onde, não nos resta alternativa que nos faça mais feliz? Expectativa aliada a realidade. Vida se encaixando com prazer e saúde mental. Como virar a chave e acionar novos rumos aos novos tempos que chegam sem que nos molhemos nas enchentes cada vez mais intensas que nos visitam a cada fechamento.

É como Tom Jobim descreveu em “Águas de março”, canção de 1972, durante uma obra em seu sítio no interior do Rio de Janeiro, mais precisamente em São José do Vale do Rio Preto. O mês era março, fim do verão e as famosas chuvas de março que fecham o verão na região sudeste do Brasil. A sensibilidade e inspiração, andaram juntas com ele naquela tarde que a chuva caía e mostrava sua beleza e verdade. O que vem amanhã? As incertezas que nos acompanham a cada ciclo são assustadoras, mas a força que as águas de março nos trazem é o maior elixir da esperança.

Por muito tempo tivemos a impressão de que as águas de março quando chegavam, vinham com um propósito: Nos levar para o fundo, assim, como Tom comenta em sua música, mas aprendemos com a vida que somos capazes de nos reerguer a cada enxurrada que sofremos. E olha que em matéria de enchentes da vida, somos campeões, mas nem por isso, deixamos de acreditar na vida, na virada, no vento que junto com a chuva, nos leva à direção certa. Verdade que as vezes demoramos a perceber, mas no final, chegamos lá. E se chegamos!

Podemos até nos ver perto do fim, mas guerreiros que somos, não deixamos o fundo do poço nos agarrar, lutamos para que não se torne o fim do caminho. E quando bate no rosto um desgosto, que possamos olhar uma ave no céu e saber que ela é livre como podemos ser. Imagina acordar uma manhã e sentir a brisa tomando aquele café fresco, passado no coador de pano e olhar pela janela e ouvir o pássaro cantando alegremente, te desejando um lindo dia. É nesse momento que acordamos e percebemos que a vida é linda em cada pequeno detalhe, assim como Antônio Carlos Jobim nos mostrou em “Águas de março”.

Fechando um verão, já esperando pelo próximo

Se você parar para ouvir a canção e se deixar levar pela arte e emoção, você perceberá uma infinidade de ideias e valores plantados na letra. Melodicamente, nem precisamos comentar. A música foi escrita em português e inglês, “Waters of march” e já foi gravada por inúmeros artistas. Nomes como Art Garfunkel, Al, Ella Fitzgerald, Jarreau e Dione Warwick. No Brasil, João Gilberto, Nara Leão, Miúcha, Joyce, Leny Andrade, Danilo Caymmi e Sérgio Mendes. Até uma versão em francês podemos ouvir “Les eaux de mars”, na voz de Georges Moustaki e da americana Stacey Kent. Se você ainda não ouviu nenhuma das versões, acho que chegou a hora. É a oportunidade de viajar ao interior e perceber quão importante é a vida.

“Águas de março” foi eleita a melhor canção brasileira de todos os tempos em 2001, numa pesquisa entre jornalistas brasileiros, feita pelo jornal Folha de São Paulo. Não participei, mas meu voto seria dela. Em 2009, a edição brasileira da revista Rolling Stones a elegeu como a segunda melhor música de todos os tempos no Brasil, perdendo apenas para “Construção”, de Chico Buarque. É para nos orgulharmos dos talentos que já tivemos por aqui. Músicas como “Águas de março” e “Construção”, deveriam ser estudadas em sala de aula. Acredito que estaríamos ajudando a cultura e o futuro do Brasil.

Sigo um caminho onde pedras e paus fazem parte da vida e me levam a entender melhor a vida, a perspectiva e a realidade, mas quando um caco de vidro insiste em furar meu sonho, eu desvio e sigo firme, em frente em busca da vida, do sol e da promessa de vida no meu coração.

Por

alexandre.mauro@oestadorj.com.br

Jornalista e comentarista esportivo. Moro em Niterói há 22 anos. Fã de cultura e esportes. Ex-editor em jornais na cidade do Rio de Janeiro. Atualmente me dedico à interatividade cultural. Acredito na importância da divulgação por todos os meios da cultura nesse país.

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