Dominguinhos, do Estácio e do samba

Há uma semana, o mundo do samba perdeu um de seus mais representativos cantores dos desfiles de Carnaval

Domingos da Costa Ferreira, ou Dominguinhos do Estácio, era uma das vozes mais emblemáticas e conhecidas das escolas de samba. Ele morreu aos 80 anos, após sofrer uma hemorragia cerebral e passar alguns dias internado no hospital.

Cantor e compositor inspirado, ele nasceu no morro de São Carlos, no Estácio, bairro da região central do Rio de Janeiro. Como ele mesmo dizia, morou no último barraco, no lugar mais alto do morro.

Como todo menino de favela, viveu uma infância pobre e de dificuldades. Logo passou a conviver com os sambistas do local e aprender as batucadas da vida. O Estácio é o berço do samba, lugar de grande tradição de sambistas, desde os primórdios.

Dominguinhos desceu o  morro e começou a frequentar o famoso bloco carnavalesco da área, o Bafo da Onça. Ali conheceu Oswaldo Nunes, o bamba compositor da agremiação, que fez sucesso nacional a partir de seus sambas que embalavam milhares de foliões na avenida e nos salões.

Foi cantando os sambas de Oswaldo que sua voz potente e afinada passou a ser conhecida. Dali, foi chamado a cantar na Unidos de São Carlos, escola que oscilava entre o primeiro e o segundo grupo, mas que contava com sambistas importantes.

Após alguns anos, torna-se o principal puxador da escola emplacando obras memoráveis como Arte Negra na legendária Bahia, O Círio de Nazaré, 40 anos de Rádio Nacional. Dominguinhos é a voz de Paulicéia Desvairada,  único título da vermelho e branca no grupo especial, em 1992, a está época já rebatizada como Estácio de Sá.

Antes disso, em 1980, após deixar a São Carlos, foi para a Imperatriz Leopoldinense e protagoniza ao microfone o primeiro título da verde e branca com o espetacular desfile de O que que a Bahia tem. No ano seguinte, torna-se bicampeão com O Teu Cabelo Não Nega, mais conhecido como Só dá Lalá.Dominguinhos passou ainda pela Unidos da Viradouro, onde também estava à frente do carro de som no primeiro campeonato da vermelha e branca de Niterói, com Trevas, luz, a explosão do universo. Também foi puxador da Acadêmicos do Grande Rio e da Inocentes de Belford Roxo.

Mas ele não era só compositor e puxador de samba-enredo. Emplacou sambas de meio de ano e gravou alguns discos solo. Destaques para Boêmio da Madrugada, Bom Ambiente, Fingida, Rala o Coco, entre outros.

Dominguinhos passou ainda pela Unidos da Viradouro, onde também estava à frente do carro de som no primeiro campeonato da vermelha e branca de Niterói, com Trevas, luz, a explosão do universo. Também foi puxador da Acadêmicos do Grande Rio e da Inocentes de Belford Roxo.

Dominguinhos do Estácio

Enfim, a morte de Dominguinhos do Estácio marca a saída de cena de um dos mestres na arte de cantar nos desfiles das escolas de samba. Ele era um dos últimos remanescentes da grande geração dessa arte, que contou com nomes como Aroldo Melodia, Ney Viana, Abílio Martins, Jamelão.

Por

amilton.cordeiro@oestadorj.com.br

Jornalista, pesquisador de samba e compositor.

Comentários estão fechados.

http://api.clevernt.com/0d18126b-b33f-11e7-bb95-f213f22ad24e