Dólar tem terceiro recuo semanal consecutivo

O real, por sua vez, teve no acumulado dos últimos cinco dias o melhor desempenho dentre alguns de seus principais pares emergentes

O dólar fechou em queda de 2,73% nesta semana, intensificando suas perdas em maio para 4,15%. Esse foi a terceiro recuo semanal consecutivo. Já o Ibovespa engatou sua terceira semana de ganhos sequenciais. Na somatória dos últimos cinco dias, a alta foi de 3,18%.

Na segunda-feira 23 de maio, a moeda norte-americana fechou pouco acima de R$ 4,80 na sessão, após cair abaixo desse patamar ao longo da jornada, com as operações domésticas mais uma vez replicando a movimentação externa.

No dia, os operadores domésticos espelharam o dia de fraqueza do dólar no exterior. O índice da moeda dos EUA contra pares caiu 0,84% no fim da tarde de segunda-feira.

Investidores tentaram retomar a confiança que há dias é golpeada por incertezas sobre os efeitos do aperto das políticas monetárias, da inflação elevada e das debilidades da economia chinesa sobre o crescimento global.

No dia seguinte, o dólar oscilou entre perdas e ganhos expressivos e acabou encerrando a terça-feira (24) com alta de 0,11%, conforme a moeda manteve sua consolidação no exterior um dia antes de o banco central norte-americano emitir nova sinalização de política monetária.

Movimento esse que puxou a moeda para cima no dia seguinte. Em 25 de fevereiro, o dólar teve valorização de 0,17%.

A ata trouxe poucas novidades em relação aos próximos passos do ciclo de alta de juros do país e de redução do balanço de compra de títulos pela autarquia. Como já sinalizado antes, a maioria dos membros do Comitê de Mercado Aberto (Fomc) do Fed julgou que altas de 0,5 ponto percentual nos juros em junho e julho seriam apropriadas.

Dados norte-americanos também impactaram a moeda na quinta-feira (26). No dia, o dólar fechou em queda de 1,23%, após investidores repercutirem a divulgação da revisão do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos no primeiro trimestre. Esse foi valor mais baixo desde 20 de abril (R$ 4,618).

E a inflação dos EUA colocou a moeda nesta sexta-feira (26) em queda. A moeda desvalorizou 0,49%, fechando sua terceira queda semanal consecutiva em relação ao real.

Os gastos dos consumidores dos Estados Unidos aumentaram mais do que o esperado em abril, enquanto a inflação anual parece ter atingido um pico, o que pode ajudar a sustentar o crescimento econômico no segundo trimestre em meio a temores crescentes de recessão.

Nos 12 meses até abril, o índice avançou 6,3% após ter saltado 6,6% em março. Os dados de março também foram revisados a aumento de 1,4% ao invés de 1,1%, como informado anteriormente.

Real

O real, por sua vez, teve no acumulado dos últimos cinco dias o melhor desempenho dentre alguns de seus principais pares emergentes.

De forma geral, a semana foi de recuperação para mercados de risco em todo o mundo, o que beneficiou o real. A melhora foi patrocinada por entendimentos iniciais de que o Federal Reserve (banco central dos EUA) possa não precisar elevar tanto os juros, uma vez que a inflação pode já ter atingido seu pico e dados correntes começaram a revelar o impacto da restrição monetária já feita.

“Globalmente o dólar ainda tem espaço para ceder, o DXY (índice do dólar) ainda está valorizado. E com isso temos espaço para o real apreciar aqui também”, disse Fábio Guarda, sócio e gestor na Galapagos Capital.

O DXY ainda sobe 6,3% em 2022.

Guarda enumera alguns pontos a favor e contra o real. Do lado negativo, ele cita o que chamou de “microajustes” na economia -medidas para segurar preços da gasolina ou via ICMS para baixar a inflação, por exemplo – e lembra o risco fiscal e a eleição presidencial de outubro.

No campo benigno, a guerra na Ucrânia deixou o Brasil mais em destaque para a comunidade financeira que investe em mercados emergentes e fugiu de ativos do leste europeu.

“Além disso, voltamos a exportar o melhor produto da nossa pauta de exportação: o juro alto. O BC muito provavelmente vai deixar a porta aberta para mais alta da Selic, e com esse juro elevado se mantendo por mais tempo não tem como, a gente vai atrair muito capital”, afirmou.

Na semana que vem, além dos números do PIB brasileiro do primeiro trimestre, as atenções estarão voltadas para o relatório mensal do mercado de trabalho norte-americano, que pode mexer com as expectativas para os rumos do aperto monetário em curso nos EUA.

Ibovespa

No primeiro dia da semana, o Ibovespa teve uma firme alta e fechou no maior patamar em quase um mês, diante de ganhos em Nova York e impulso de ações de commodities locais. O índice subiu 1,71%, a 110.345,82 pontos.

Já na terça-feira, O principal índice da bolsa brasileira fechou em tímida alta de 0,21%, após acelerar na última hora e reverter as fortes perdas de mais cedo.

No dia seguinte, por outro lado, encerrou estável, apagando perdas leves após o Federal Reserve reiterar em ata de reunião de política monetária os discursos recentes de seus membros, o que reduziu temores de uma postura mais agressiva pela instituição do que o precificado no mercado.

O Ibovespa encerrou na quarta-feira de lado, ou seja, com uma variação de 0%. A última vez que o índice terminou no zero a zero foi em 11 de dezembro de 2020.

Já na quinta-feira, o principal índice da bolsa brasileira teve firme alta de 1,31%, diante de dia positivo em Wall Street, após uma série de dados econômicos fracos nos Estados Unidos corroborar a leitura de que o banco central norte-americano não deve elevar os juros de modo mais agressivo.

E, nesta sexta-feira (27), o Ibovespa terminou praticamente estável, à medida que ruídos políticos em torno da Petrobras derrubaram as ações da estatal, o que limitou os efeitos locais de disparada em Wall Street.

Enquanto Petrobras exibiu queda forte, Vale e ações do setor financeiro foram as principais influências positivas ao índice.

O índice teve variação positiva de 0,05%.

Reuters

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