Dólar tem nova queda e Ibovespa opera em alta

O real tem sido beneficiado por um cenário de migração de investimentos para mercados emergentes e ligados a commodities diante da expectativa de alta de juros pelo Federal Reserve

O dólar fechou nesta segunda-feira (31) em queda de 1,59%, a R$ 5,305, no menor patamar desde 23 de setembro de 2021 (R$ 5,31), e encerrou o mês de janeiro com uma desvalorização de 4,80%. A queda diária também foi a maior percentual em 12 dias, com a desvalorização para o mês de janeiro sendo a maior desde 2019.

Já o Ibovespa opera em alta, após passar a maior parte do dia com volatilidade, em uma semana com os investidores focados nas decisões de política monetária no Brasil – com a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) – e na Europa.

Por volta das 17h00, o Ibovespa tinha alta de 0,34%, aos 112.288 pontos, sendo puxado principalmente pelo avanço das ações de bancos, enquanto as de commodities recuavam, em especial as ligadas ao minério de ferro, que fechou em queda nesta segunda-feira.

Na semana anterior, o dólar teve a terceira semana seguida de baixa, recuando 1,22%. Já o Ibovespa encerrou a semana em alta de 2,7%, acima da casa dos 110 mil pontos.

O real tem sido beneficiado por um cenário de migração de investimentos para mercados emergentes e ligados a commodities diante da expectativa de alta de juros pelo Federal Reserve, junto com as altas na Selic realizadas pelo Banco Central, que devem continuar em 2022.

A expectativa do mercado é que o Copom eleve a taxa básica de juros, a taxa Selic, em 1,5 ponto percentual na quarta-feira, de 9,25% para 10,75% ao ano. O movimento favorece o real, tornando os títulos do Tesouro mais atrativos, mas é negativo para as ações, já que também torna a renda fixa mais atrativa que a variável.

Fed

Na semana anterior, o mercado continuou a precificar uma possível alta de juros nos Estados Unidos depois da reunião de política monetária do banco central norte-americana e seu comunicado, divulgado na quarta-feira (27).

O documento não trouxe grandes novidades para os investidores, com o Fed mantendo os juros no intervalo entre 0% e 0,25%, mas afirmando que espera ter as condições necessárias para elevar as taxas “em breve”. A expectativa é de alta na reunião de março.

O tom do comunicado mais ameno chegou a impulsionar as bolsas, mas os índices tiveram queda com o teor mais rígido do presidente da instituição, Jerome Powell, na entrevista coletiva logo depois.

A perspectiva de elevação dos juros aumenta a atratividade da renda fixa sobre as ações nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, pode fazer com que investidores busquem mercados mais resilientes e baratos, como o europeu e os emergentes, e migrem para ativos em alta, como as commodities.

Qualquer alta de juros no país, porém, pode afetar os investimentos no Brasil, já que torna os títulos do Tesouro norte-americana ainda mais atrativos para os investidores.

Commodities

Os investidores também tem realizado um processo de migração para áreas ligadas a commodities e para os mercados emergentes, o que favorece o Brasil e o real, já que a bolsa brasileira possui uma grande quantidade de empresas ligadas ao setor.

Na bolsa, ações como Vale (VALE3) e Petrobras (PETR3 e PETR4) são beneficiadas pelas altas do minério de ferro e do petróleo, e são integrantes importantes do Ibovespa.

Expectativas de mais medidas pró-crescimento na China, enquanto pressões econômicas baixistas persistem, estão aumentando as esperanças de uma recuperação na demanda por metais, disseram analistas, o que leva a altas nos preços.

No caso do petróleo, analistas do Goldman Sachs afirmam que os preços do petróleo Brent devem superar os US$ 100 por barril neste ano. Segundo eles, o mercado de petróleo continua em um “déficit surpreendentemente grande” já que o efeito da variante Ômicron do coronavírus na demanda pela commodity é, até agora, menor do que o que era esperado. Além disso, as tensões na Ucrânia afetam os preços.

Brasil

Na cena local, os investidores repercutem a divulgação de dados econômicos. Foi divulgado nesta segunda-feira o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) referente a dezembro, com resultado pior que o projetado pelo mercado.

O aumento do risco fiscal também segue no radar dos investidores. Um projeto de lei sobre os impostos sobre combustíveis, chamada de PEC dos Combustíveis, elevou os temores de um descontrole fiscal.

Um analista de mercado define que a percepção é que o governo está partindo para o tudo ou nada, e deve caminhar para medidas mais populistas para elevar sua popularidade até as eleições.

Segundo projeção da equipe de análise da XP, a PEC pode diminuir a arrecadação entre R$ 70 bilhões e R$ 100 bilhões. Entretanto, o governo já discute incluir apenas o diesel no texto, sem a gasolina.

O Banco Central fará neste pregão leilão de até 15 mil contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1° de abril de 2022.

*Com informações da Reuters

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