Dólar sobe 0,81%, a R$ 5,19, com aversão a riscos

O Ibovespa encerrou com leve alta de 0,03%, aos 99.852,67 pontos, rondando estabilidade ao longo do dia.

O dólar fechou com valorização de 0,81%, a R$ 5,187, nesta segunda-feira (20), apesar de uma leve recuperação de moedas estrangerias em relação à norte-americana. Entretanto, os investidores ficaram avessos a riscos, e fatores internos prejudicaram o mercado doméstico.

O Ibovespa encerrou com leve alta de 0,03%, aos 99.852,67 pontos, rondando estabilidade ao longo do dia. O índice foi impactado pelo recuo em bloco de ações ligadas ao minério de ferro, que fechou com forte queda na China. Na ponta positiva, estão o desempenho dos papéis de bancos e da Petrobras, com leve recuperação após a indicação de Fernando Borges como presidente interino.

Ao longo da semana também, os investidores estarão atentos a novos desdobramentos sobre a situação da Petrobras, assim como a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e do Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) de junho, considerado a prévia da inflação.

O Banco Central fez nesta sessão leilão de até 15 mil contratos de swap cambial tradicional para fins de rolagem do vencimento de 1° de agosto de 2022. A operação do BC ajuda a dar liquidez na moeda, mas especialistas apontam que o órgão poderia atuar mais para conter a volatilidade do câmbio.

Na última sexta-feira (18), o dólar fechou em alta de 2,35%, cotado a R$ 5,146. Já o Ibovespa caiu 2,9%, o que fez o principal índice da B3 ficar abaixo dos 100 mil pontos, aos 99.824,94 pontos, voltando aos níveis de novembro de 2020.

Risco fiscal e recessão

Nas últimas semanas, os temores sobre uma recessão global ganharam força em meio a uma série de altas de juros em grandes economias, levando a uma retirada investimentos de mercados considerados arriscados e uma queda nos preços das commodities com a expectativa de demanda menor, dois fatores que prejudicam o Brasil.

Além disso, o real é prejudicado pelo retorno ao radar do risco fiscal no Brasil, com aumento de gastos e possível desrespeito ao teto de gastos, além de incertezas em relação à Petrobras com a renúncia do seu presidente e temores de uma intervenção na política de preços da estatal após um novo reajuste nos combustíveis, o que seria mal visto pelo mercado.

Sentimento global

Os investidores ainda mantém uma forte aversão global a riscos desencadeada por temores sobre uma possível desaceleração econômica generalizada devido a uma série de altas de juros pelo mundo para conter níveis recordes de inflação, o que prejudicaria diversos tipos de investimentos.

A principal causa para essa aversão é o ciclo de alta de juros nos Estados Unidos, com a elevação mais recente anunciada pelo Federal Reserve em 15 de junho. O órgão elevou os juros em 0,75 ponto percentual, na maior alta desde 1994, e deixou uma porta aberta para um aumento na mesma magnitude em julho.

Os juros maiores nos Estados Unidos atraem investimentos para a renda fixa do país devido a sua alta segurança e favorecem o dólar, mas prejudicam os mercados de títulos e as bolsas ao redor do mundo, inclusive as norte-americanas.

Ao mesmo tempo, o Banco Central Europeu (BCE) sinalizou altas de juros a partir de julho, enquanto a China enfrenta um novo aumento de casos de Covid-19 com temores de novas restrições e o risco fiscal no Brasil voltou a ganhar força.

Com isso, a combinação de um cenário doméstico debilitado, com o retorno de riscos fiscais e temores sobre interferências na Petrobras, e a perspectiva no exterior de fortes apertos monetários voltaram a prejudicar o mercado brasileiro. Reuters

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