Dólar se desvaloriza 2,10% e fecha a R$ 4,96

O mercado operou com cautela ao redor do mundo

O dólar fechou com desvalorização de 2,10%, cotado a R$ 4,964, nesta terça-feira (3), seguindo o exterior em um movimento de ajuste após os fortes ganhos na véspera, quando teve a maior valorização diária desde 22 de abril.

Já o Ibovespa encerrou em queda de 0,10%, aos 106.528,09 pontos, prejudicado pelo recuo de ações em meio à aversão a riscos, com destaque para o setor de varejo, apesar da recuperação de papéis ligados a setores como viagem e commodities, que tiveram fortes quedas na segunda-feira (2).

O mercado operou com cautela ao redor do mundo, mas menor que na véspera, com investidores se afastando de ativos considerados arriscados em meio a preocupações com a inflação global, a situação da pandemia na China e à espera das decisões de juros nos Estados Unidos e Brasil, cujas reuniões de política monetária começam nesta terça-feira.

A expectativa dos investidores é que o Federal Reserve, banco central norte-americano, adote um tom mais duro no combate à inflação recorde no país e suba os juros em 0,5 ponto percentual, movimento que favorece o dólar.

Já em relação ao Brasil, espera-se uma elevação de 1 ponto percentual por parte do Comitê de Política Monetária (Copom), o que deixaria a taxa básica de juros, a Selic, em 12,75% ao ano, devido às pressões inflacionárias ainda fortes.

O Banco Central realizou neste pregão um leilão de até 20 mil contratos de swap cambial tradicional com vencimento em 1° de dezembro de 2022 e 3 de abril de 2023. A autarquia também ofertou 15 mil contratos de swap cambial tradicional para fins de rolagem do vencimento de 1° de junho de 2022. As medidas buscam reduzir a valorização da moeda norte-americana.

Especialistas apontam que o movimento do BC, que acontece desde 6 de abril, pode ajudar a dar liquidez na moeda.

Na segunda-feira (2), o dólar subiu 2,58%, a R$ 5,071, enquanto o Ibovespa teve queda de 1,15%, aos 106.638,64 pontos.

Moeda norte-americana

A moeda norte-americana reverteu parte dos ganhos que o real obteve nos primeiros meses do ano devido a uma combinação de fatores que influencia no fluxo de compra e venda do dólar.

Especialistas associaram essa valorização recente a dois principais fatores: a perspectiva de altas maiores de juros nos Estados Unidos e os temores em relação aos lockdowns estabelecidos em uma série de cidades economicamente relevantes na China.

Os juros norte-americanos maiores tendem a atrair investimentos para o mercado de títulos do Tesouro do país, retirando capital de mercados considerados mais arriscados que o dos Estados Unidos, caso do Brasil.

Já as medidas de controle de disseminação da Covid-19 na China, que afetam cidades como Xangai e Pequim, tendem a reduzir a demanda da segunda maior economia do mundo por commodities, prejudicando seus principais fornecedores, entre eles o Brasil, e influenciando negativamente nos preços desses produtos. CNN

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