Dólar recua a R$ 5,01

A moeda norte-americana recuou conforme o real era beneficiado pelo bom humor do mercado, além de um fluxo apoiado nos juros altos do Brasil e a busca por mercados ligados a commodities

O Ibovespa encerrou em alta de 2,43%, aos 113.900,34 pontos, nesta quarta-feira (9), diante de forte valorização das ações globais, em meio à forte queda do petróleo, aliviando temores com inflação e atividade econômica. O mercado também reagiu ao noticiário envolvendo a guerra na Ucrânia.

Os setores financeiro e de viagens e turismo estiveram entre os destaques de alta, enquanto a mineradora Vale e empresas petrolíferas ficaram na ponta contrária, refletindo os recuos do minério de ferro na China e a queda de 10% do petróleo após atingir níveis recordes.

Já o dólar fechou com desvalorização de 0,82%, a R$ 5,012. A menor cotação desde 23 de fevereiro (R$ 5), e a segunda menor em 2022. A moeda norte-americana recuou conforme o real era beneficiado pelo bom humor do mercado, além de um fluxo apoiado nos juros altos do Brasil e a busca por mercados ligados a commodities.

Na terça-feira (8), o dólar recuou 0,50%, cotado a R$ 5,053. Já o Ibovespa teve queda de 0,35%, aos 111.203,45 pontos.

Petróleo

O petróleo fechou em forte queda nesta quarta-feira (9) após altas robustas da sessão da véspera. A guerra na Ucrânia continuou no foco dos investidores nesta quarta, em meio a um cessar-fogo para evacuação de civis e com acenos de autoridades pela solução do conflito.

Além disso, investidores acompanharam a liberação emergencial de estoques do óleo e dados semanais do Departamento de Energia (DoE) norte-americano.

Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril do petróleo WTI com entrega prevista para abril fechou em queda de 12,12% (US$ 15), a US$ 108,70. Enquanto o do Brent para maio perdeu 13,16% (US$ 16,84) na Intercontinental Exchange (ICE), a US$ 111,14.

André Perfeito, economista-chefe da Necton, afirma que a queda do petróleo ocorre após “notícias apontarem que haverá mais produção de petróleo por países como Iraque para mitigar os efeitos do embargo ao óleo da Rússia”.

“Vale notar que estamos num período de muita volatilidade e estes movimentos são normais, logo não podemos garantir que será continuada essa queda nas matérias-primas”, diz.

Os preços do petróleo tiveram alta desde que a Rússia invadiu a Ucrânia. Analistas acreditam que o furor recente pode ser apenas o começo, já que os avisos de US$ 200 por barril começam a se espalhar pelo mercado.

A commodity atingiu seu nível mais alto desde 2008 na segunda-feira (7), quando os países ocidentais passaram a considerar um embargo ao petróleo da Rússia, o segundo maior exportador do mundo.

Na terça-feira, o petróleo Brent, que chegou a disparar 8,07%, reduziu o ganho no fechamento para 3,87%, após o anúncio de proibição de importação da commodity russa pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido, o que deve aumentar o choque de oferta do produto nos próximos dias.

O principal fator para a alta é o descompasso entre oferta e demanda da commodity, com os principais produtores, reunidos na Opep+, ainda não retomando os níveis de produção pré-pandemia, e o quadro foi intensificado com as tensões na Europa.

Porém, falas do presidente Jair Bolsonaro, criticando a política de preços da Petrobras, geraram temores no mercado sobre uma possível intervenção na empresa. Outra possibilidade é a criação de um subsídio temporário para os preços.

O subsídio que está sendo estudado seria transitório, de três meses, e teria um custo de cerca de R$ 20 bilhões. O objetivo seria evitar que o litro da gasolina chegue a R$ 10.

O receio do mercado é que as medidas acabem impactando as contas públicas e gerando um risco fiscal alto, o que reduziria a confiança de investidores e faria o dólar subir pela saída de investimentos.

Commodities

Ainda como consequência da invasão Rússia à Ucrânia está a alta nos preços de outras commodities, principalmente as ligadas à Rússia e à Ucrânia, caso do milho, trigo, além do petróleo.

O trigo chegou a ter alta de 7% na segunda-feira, e acumula valorização de 75% no ano. De acordo com a Necton, a valorização do real pode reduzir esse aumento para perto de 55%.

Ao mesmo tempo, a situação na Ucrânia pode impactar nos benefícios para o real de um ciclo de migração de investimentos iniciado em 2022 para mercados ligados a commodities e vistos como baratos, como o Brasil, ao estimular a busca pelo dólar.

O ciclo estava ligado, em partes, a expectativas de mais medidas pró-crescimento na China que estão aumentando as esperanças de uma recuperação na demanda por metais, o que levou a altas nos preços, reforçadas com a crise na Ucrânia.

A disparada dos preços de commodities pode custar à economia global o equivalente a pelo menos 4% de seu Produto Interno Bruto (PIB), disse a Trafigura, empresa multinacional de comércio de commodities.

Guerra na Ucrânia

Nesta tarde, o conselho da cidade de Mariupol, no sul da Ucrânia, postou um vídeo de uma maternidade devastada na cidade e acusou as forças russas de lançar várias bombas em ataques aéreos.

“A destruição é enorme. O prédio do centro médico onde as crianças foram tratadas recentemente está completamente destruído. As informações sobre vítimas estão sendo esclarecidas”, disse o conselho.

“Uma maternidade no centro da cidade, uma ala infantil e um departamento de medicina interna. Tudo isso foi destruído durante o ataque aéreo russo em Mariupol. Agora mesmo”, disse Pavlo Kyrylenko, governador da região de Donetsk.

Enquanto isso, as tropas russas continuam tentando tomar a capital do país, Kiev, a porta-voz do Ministério de Relações Exteriores russo afirmou que o país alcançará seu objetivo de garantir o status neutro da Ucrânia e prefere fazer isso por meio de negociações. Ele também disse que a Rússia não quer derrubar o governo ucraniano.

Do ponto de vista econômico, o principal acontecimento envolvendo o conflito é a série de sanções anunciadas pelos Estados Unidos e seus aliados ocidentais.

Dentre elas estão a expulsão de bancos russos do Swift, um sistema global de pagamentos, e o congelamento de reservas do banco central da Rússia.

Os países que apoiam a Ucrânia já afirmaram que devem implementar novas sanções contra a Rússia, que viu sua moeda, o rublo, despencar e atingir uma mínima histórica.

O VIX, chamado de “índice do medo” por tentar medir o grau de volatilidade do mercado, recuou e terminou aos 32 pontos, após chegar ao maior nível desde setembro de 2020.

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