Dólar recua 0,41%, a R$ 5,13; Ibovespa fecha em baixa de 0,14%

Retornando aos R$ 5, o dólar reverteu parte dos ganhos que o real obteve nos primeiros meses do ano devido a uma combinação de fatores que influenciaram no fluxo de compra e venda da moeda

O Ibovespa fechou com recuo de 0,14%, aos 103.109,94 pontos, nesta terça-feira (10), seguindo o desempenho positivo das bolsas no exterior em um dia de recuperação após encerrar a sessão da véspera no menor nível em quase quatro meses, apesar das fortes quedas nas ações de mineradoras.

O dólar, por outro lado, encerrou em queda de 0,41%, cotado a R$ 5,134,  com o real tendo leve recuperação após uma sequência de fortes altas nos últimos dias. Entretanto, a aversão a riscos nos mercados, com temores sobre uma forte desaceleração da economia global, ainda se mantém, ainda favorece a moeda norte-americana.

No Brasil, os investidores repercutem a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em que a taxa Selic foi elevada a 12,75% ao ano. O texto trouxe poucas novidades sobre o ciclo de alta de juros, reforçando que a próxima reunião, em junho, deve ter uma nova elevação, mas em magnitude menor.

Os integrantes do Copom reforçaram que podem rever a posição dependendo da situação da economia, citando incertezas e volatilidade altas atualmente, para garantir a ancoragem da inflação para 2023 na meta.

O Banco Central realizou neste pregão leilão de até 15 mil contratos de swap cambial tradicional para fins de rolagem do vencimento de 1° de julho de 2022 – movimento que acontece desde 6 de maio. Especialistas apontam que o operação do BC pode ajudar a dar liquidez na moeda.

Na segunda-feira (9), o dólar subiu 1,62%, cotado a R$ 5,155. Já o Ibovespa teve queda de 1,79%, aos 103.250,02 pontos, no menor patamar em quase 4 meses.

Pessimismo global

O instigador mais recente da aversão global a riscos foi a alta de juros nos Estados Unidos, anunciada pelo Federal Reserve na quarta-feira (4). Apesar de descartar altas de 0,75 p.p. ou um risco de recessão, a autarquia sinalizou ao menos mais duas altas de 0,5 p.p.

Os juros maiores nos Estados Unidos atraem investimentos para a renda fixa do país devido a sua alta segurança, mas prejudica as bolsas ao redor do mundo, inclusive as norte-americanas.

Junto com uma série de elevações de juros pelo mundo, os lockdowns na China para tentar conter a Covid-19 aumentam as projeções de uma forte desaceleração econômica, prejudicando os mercados.

O crescimento das exportações chinesas desacelerou a um dígito, nível mais fraco em quase dois anos, enquanto as importações mal mudaram em abril, ampliando as preocupações econômicas.

Efeitos no real

Retornando aos R$ 5, o dólar reverteu parte dos ganhos que o real obteve nos primeiros meses do ano devido a uma combinação de fatores que influenciaram no fluxo de compra e venda da moeda.

Especialistas associaram essa valorização recente a dois principais fatores: a perspectiva de altas maiores de juros nos Estados Unidos e os temores em relação aos lockdowns estabelecidos em uma série de cidades economicamente relevantes na China.

Os juros norte-americanos maiores tendem a atrair investimentos para o mercado de títulos do Tesouro do país, retirando capital de mercados considerados mais arriscados que o dos Estados Unidos, caso do Brasil.

Já as medidas de controle de disseminação da Covid-19 na China, que afetam cidades como Xangai e Pequim, tendem a reduzir a demanda da segunda maior economia do mundo por commodities, prejudicando seus principais fornecedores, entre eles o Brasil, e influenciando negativamente nos preços desses produtos.

Na semana

O foco do mercado nesta semana está na divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI na sigla em inglês) dos Estados Unidos referente a abril, um indicador de inflação importante que deve dar mais pistas sobre os próximos passos do ciclo de alta de juros no país.

Já no Brasil, o evento mais relevante será a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril, a medida oficial de inflação do Banco Central. Com o dado, o mercado espera ter mais clareza sobre a próxima alta de juros já sinalizada pela autarquia, e se ela realmente encerrará o ciclo iniciado em 2021.

Tanto em relação ao dado brasileiro quanto ao norte-americano, o mercado buscará sinais sobre um possível pico de inflação, o que facilitaria, no caso brasileiro, o fim do ciclo de alta de juros com uma elevação menor em junho e, no dos Estados Unidos, altas menores nas próximas reuniões, impactando menos a atividade econômica. CNN

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